Empresária denuncia falta de diálogo e impacto negativo com veto a dinheiro para Carnaval; vereador cita crescimento de ISTs

A Câmara de Cuiabá vota nesta terça-feira (25) o projeto de lei que propõe a proibição de investimentos públicos municipais no Carnaval pelos próximos quatro anos. A matéria, de autoria do vereador Rafael Ranalli (PL), gerou debate entre parlamentares e representantes do setor econômico, com críticas sobre a falta de diálogo com os segmentos impactados pela decisão.

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A presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Lorenna Bezerra, classificou a proposta como prejudicial ao setor produtivo e destacou a importância da festa popular para a economia local. Segundo ela, a medida pode comprometer o faturamento de comerciantes que dependem do aumento do movimento durante o Carnaval.
“Tomar uma decisão dessa e proibir o Carnaval é a mesma coisa que dizer para as pessoas não virem para Cuiabá. O turista precisa se organizar, o empresário precisa se organizar. Isso afeta toda uma cadeia econômica, desde bares e restaurantes até costureiras e motoristas de aplicativo”, afirmou Lorenna.
A presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Lorenna Bezerra, criticou a proposta e destacou que não houve diálogo com os setores diretamente afetados. Segundo ela, o Carnaval representa um impulso econômico essencial para a cidade, especialmente para pequenos comerciantes e prestadores de serviço.
Lorenna também rebateu um dos principais argumentos do autor do projeto, que alegou que a venda de produtos nas ruas, como água e cerveja, não gera arrecadação de ISS para o município. Segundo ela, a economia não se sustenta apenas na arrecadação do imposto, e muitos comerciantes dependem das datas sazonais para garantir seu sustento.
“As pessoas não vivem só de ISS. Muitos comerciantes esperam exatamente esses períodos do ano, como o Carnaval, para conseguir um faturamento melhor. E não estou falando apenas do setor de alimentação. Tem a costureira que faz fantasias, o motorista de aplicativo que trabalha mais, o mercadinho que vende mais, os pequenos empresários que aproveitam esse momento. Se não houver investimento e incentivo ao Carnaval, toda essa cadeia econômica é afetada”, explicou.
A presidente da Abrasel também comparou a decisão da Prefeitura de Cuiabá à atuação do governo estadual, que organizou o Carnaval e incentivou a realização de eventos na capital. Para ela, o poder público deveria buscar formas de fomentar a festa, e não barrá-la.
“A gente entende a mudança de gestão, mas agora precisamos pensar no futuro. O que a sociedade e o poder público podem fazer para incentivar o Carnaval, em vez de impedir que ele aconteça? O vereador poderia ter usado esse recurso para dialogar com o setor e estudar os impactos econômicos. Não conversou com ninguém. Uma decisão como essa, que envolve tantos setores, deveria ter sido construída com diálogo”, reforçou.
Ela ainda questionou os argumentos de Ranalli sobre segurança pública e saúde, mencionando que, em vez de simplesmente barrar a festa, o município poderia investir em medidas de conscientização e fiscalização.
“Se o problema é saúde pública e segurança, por que não incentivar campanhas de conscientização? Distribuir preservativos, aumentar a fiscalização, incentivar as pessoas a usarem aplicativos de transporte em vez de dirigir alcoolizadas? Tudo isso poderia ser trabalhado em conjunto com a festa, e não contra ela”, completou.
Debate no Plenário
Ranalli defendeu a proposta argumentando que o uso de recursos públicos no Carnaval não é viável diante da atual situação financeira do município. Ele citou dados sobre o aumento de casos de violência e atendimentos médicos no período como justificativa para barrar o investimento.
“Durante o Carnaval do ano passado, o número de denúncias de violência doméstica aumentou 38%. Também houve crescimento de 20% na violência contra crianças. Além disso, há aumento de acidentes, superlotação nas unidades de pronto atendimento e crescimento de doenças sexualmente transmissíveis. Não sou contra a festa, apenas contra o uso de dinheiro público para custeá-la”, declarou Ranalli.
O projeto também recebeu críticas do vereador Daniel Monteiro (Republicanos), que adiantou seu voto contrário. Ele ressaltou os impactos econômicos positivos do Carnaval e citou o exemplo do Rio de Janeiro, onde a construção do sambódromo impulsionou o turismo e a geração de empregos.
“O investimento do governo, especialmente em artistas locais, gera um processo de multiplicação da renda. O Brasil tem o samba, tem o futebol e tem o Carnaval. Votarei contra em nome da economia da cidade”, disse Monteiro.
A votação do projeto deve ocorrer na sessão plenária desta terça-feira. Caso seja aprovado, o texto seguirá para sanção ou veto do Executivo municipal.

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