Vigias que espancaram venezuelano até a morte na Rodoviária de Cuiabá viram réus por homicídio

A Justiça acatou a denúncia do Ministério Público e tornou réus os vigilantes que espancaram o venezuelano Hildemario Ivan José Sanches Camacho até a morte na Rodoviária de Cuiabá, em decisão desta terça-feira (25), proferida pelo juiz João Bosco Soares da Silva, da 12ª Vara Criminal da capital. Camacho foi brutalmente assassinado no dia 4 de fevereiro.

Leia mais
Vigias que espancaram venezuelano até a morte na Rodoviária de Cuiabá viram réus por homicídio

Com o recebimento, Jonas Carvalho e Oliveira, Dhiego Érik da Silva Ferreira, Alvacir Marques de Souza e Luciano Sebastião da Costa responderão por homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. Agora, os acusados têm 10 dias para se defenderem das acusações.
Nesta quinta (27), o magistrado avaliou pedidos de liberdade provisória feitos por Luciano e Alvacir, os quais alegam ausência de requisitos para a manutenção das prisões preventivas.
O Ministério Público se manifestou contrário aos requerimentos e, examinando o caso, o juiz manteve ambos presos considerando a gravidade do crime e a necessidade de preservar a ordem pública, acrescentando que os fundamentos que levaram à prisão preventiva permanecem válidos e contemporâneos.
O pedido de prisão domiciliar de Luciano Sebastião da Costa, com base em necessidade de tratamento de saúde, também foi negado. O juiz solicitou informações sobre o tratamento médico oferecido a Luciano na unidade prisional.
Após serem submetidos por audiência de custódia um dia após o crime, eles tiveram as respectivas prisões em flagrante convertidas em preventiva por ordem do juiz Moacir Tortato.
Na ocasião, Tortato destacou que Dhiego é condenado e cumpre 3 anos no regime semiaberto por roubo e tráfico. Sobre Alvacir, anotou que ele tem histórico criminal pela prática de ameaça no âmbito doméstica, enquanto Luciano possui registro por ameaça, com baixa no ano de 2020.
No caso de Jonas, foi constatado que ele é procurado, com mandado de prisão em aberto expedido pela 2ª Vara Cível de Patrocínio, Minas Gerais. À Justiça de Cuiabá, ele apresentou identificação falsa. Ao cruzar os dados das suas impressões digitais, constatou-se que ele possui filiação diversa da qual apresentou. Foi aí que sua identidade foi descoberta, bem como o status de “procurado”.
Diante disso, da gravidade dos fatos, riscos à ordem pública e garantia da instrução, o juiz converteu os flagrantes em preventivas.
Como noticiado pelo Olhar Direto, os suspeitos espancaram o homem até a morte. Câmera de segurança da rodoviária flagrou o momento da ação. Na gravação, é possível ver a vítima sendo atacada próximo ao embarque de ônibus. Ainda na imagem o rapaz aparece correndo pela plataforma e, na sequência, caindo. Ele continua sendo seguido pelos suspeitos.
Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) foi acionada para realizar a liberação do corpo do homem no Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), às 2h26.
Informações apontam que a vítima foi encontrada dentro do terminal rodoviário com diversos ferimentos, com um corte profundo na cabeça e escoriações pelo corpo. Apesar do atendimento médico, não resistiu e morreu na unidade de saúde.
Após diligências, a DHPP prendeu os três suspeitos dentro da rodoviária, e o quarto, em sua casa em Várzea Grande.
De acordo com o delegado Nilson André Farias, os vigilantes permaneceram próximos da vítima, mas não agiram para proporcionar o socorro adequado. “Eles tiveram a oportunidade de prestar socorro. Como vigilantes, eles também são responsáveis e garantidores da integridade física das pessoas”, explicou o delegado.
Por meio de nota, a Sociedade Nacional de Apoio Rodoviário e Turístico (SINART), concessionária responsável pela rodoviária de Cuiabá, lamentou o fato. Segundo a empresa, desde quando tomou ciência do crime, vem tomando todas as providências para apurar os fatos e “colaborando com as investigações e disponibilizando as câmeras de segurança para a Delegacia de Homicídios (DHPP)”.

Fonte


Publicado

em

por

Tags: