Morador da casa onde Emelly foi morta e enterrada relata ter sentido cheiro forte de sangue, mas acreditou ser da irmã

O pedreiro Cícero Martins Pereira Júnior, 24 anos, afirmou em depoimento à Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cuiabá que encontrou respingos de sangue e sentiu um cheiro forte ao chegar em casa, mas acreditou que se tratava de sua irmã, Nataly Hellen Martins Pereira, 28 anos, que alegava ter dado à luz no local. Ele disse que nunca suspeitou que o sangue poderia ser de outra pessoa, já que Nataly sustentava a narrativa de que havia passado por um parto inesperado. Cícero foi detido na manhã de quinta-feira (14), enquanto estava em casa, e liberado no período da noite após ser interrogado.

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Ainda segundo seu depoimento, Nataly ligou para ele de madrugada pedindo que fosse à delegacia, pois estaria sendo acusada de apresentar um bebê que não era dela. Sem saber da gravidade da situação, Cícero atendeu ao pedido da irmã e levou sua esposa, Evelyn, para testemunhar. Foi apenas no dia seguinte que, ao permitir a entrada da Polícia Civil em sua residência, percebeu a real dimensão do caso. Ao ajudar os agentes na busca por placenta e vestígios do suposto parto, encontrou um trecho de terra remexida no quintal e alertou os policiais, que acabaram localizando o corpo da adolescente Emelly Azevedo Sena, 16 anos, enterrado no local.
Resumo do depoimento à polícia:
 

1. Ligação de Nataly e ida à delegacia
 
  • Na madrugada do dia 13 de março, por volta das 2h, Cícero foi acordado com uma chamada de vídeo de Nataly, pedindo que ele fosse até a Delegacia do CISC Verdão.
     
  • Segundo ele, a irmã afirmou que estavam acusando-a de que “o bebê não era dela” e pediu que levasse sua esposa, Evelyn, para testemunhar.
     
  • Cícero disse que Evelyn não esteve presente no parto e que isso já era uma mentira.
     
  • Após o depoimento de Evelyn, foram liberados e ele foi informado que uma adolescente grávida estava desaparecida.
2. Desconfiança sobre a gravidez de Nataly
 
  • Questionado pelos policiais, Cícero afirmou que acreditava que a irmã estava grávida, pois via uma barriga e ela sempre afirmava a gestação.
     
  • No entanto, nunca a acompanhou em exames médicos e não tinha provas concretas da gravidez.
3. A descoberta do corpo
 
  • Pela manhã, ao saber das suspeitas sobre Nataly, Cícero deixou os filhos com a babá e foi ao trabalho.
     
  • Como não conseguiu trabalhar por causa da chuva, voltou para casa e descansava quando recebeu uma ligação de Aledson Júnior, seu cunhado.
     
  • Aledson avisou que a Polícia Civil estava indo até sua casa e pediu que ele liberasse a entrada dos agentes.
     
  • Cícero recebeu os policiais, permitiu que entrassem e se dispôs a ajudar.
     
  • Em determinado momento, os policiais perguntaram sobre placenta ou restos do parto, e Aledson mencionou que Nataly havia dito que “desceu pelo vaso sanitário”.
     
  • Cícero mostrou a localização da caixa de esgoto e pegou ferramentas para abrir o local.
     
  • Enquanto procurava uma picareta, notou uma área de terra remexida no quintal e avisou os policiais.
     
  • Ao cavar, a polícia encontrou o corpo de Emelly enterrado.
4. Cheiro de sangue e limpeza da casa
 
  • Cícero afirmou que, na noite anterior, percebeu um cheiro muito forte de sangue em casa.
     
  • Ele ligou para Evelyn, que pediu para limpar o local com desinfetante antes do retorno dos filhos.
     
  • Segundo ele, limpou o chão e o banheiro, mas não mexeu na parte externa, onde o corpo estava enterrado.
     
  • Disse ainda que Aledson já havia feito uma limpeza antes, pois viu um vídeo onde ele limpava Nataly, que estava coberta de sangue.
 
Conclusão do interrogatório
 
 
O depoimento foi encerrado às 18h05 do dia 13 de março de 2025 e assinado pelo delegado Michael Mendes Paes e pelo escrivão Francisco José Prata Vidal.
 
 
Contexto das investigações
 
  • Nataly Hellen Martins Pereira confessou que matou Emelly Sena, retirou o bebê de seu útero e alegou que a criança era sua.
     
  • O corpo da vítima foi enterrado no quintal da casa de Cícero.
     
  • Além de Cícero, outros dois homens foram detidos e liberados.
     
  • A defesa alega que eles não tinham conhecimento do crime e que Nataly agiu sozinha.

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