‘Quem não deve, não teme’, diz Coronel Dias ao defender Abilio após suspensão de festa em Cuiabá

O vereador Coronel Dias (Cidadania) saiu em defesa do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), após a suspensão de eventos sociais e esportivos ocorridos no último fim de semana na capital. Durante entrevista à imprensa, nesta terça-feira (25), o parlamentar afirmou que o chefe do Executivo municipal “colocou o dedo na ferida” ao tratar da influência de facções criminosas em comunidades periféricas e associou ações sociais à estratégia de cooptação do crime organizado.

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“Se a sociedade ainda não enxergou que as facções criminosas, para atrair o jovem, utilizam da música, do funk, para convencer as pessoas mais carentes de que eles são boas pessoas, estão fazendo o Dia das Crianças, o Natal… Se a sociedade não entendeu isso, parabéns ao prefeito Abílio, que está mostrando de forma concreta, em casos específicos, o que está acontecendo nas comunidades”, afirmou.
A suspensão dos eventos foi alvo de críticas de influenciadores digitais, que chegaram a abordar o prefeito nos corredores da Câmara Municipal. Eles alegam que as atividades tinham caráter beneficente e acusaram a Prefeitura e a Polícia Militar de agir com truculência e criminalizar as ações da comunidade. Abilio, por sua vez, sustentou que os eventos ocorreram sem o licenciamento exigido por lei e citou a presença de menores consumindo bebida alcoólica, além de suposta participação de pessoas com vínculos com facções criminosas.
Coronel Dias endossou o discurso do prefeito e cobrou maior fiscalização em atividades realizadas em regiões periféricas. “Falar de campeonato na periferia, sem a participação da segurança pública, é entregar de mãos beijadas as fragilidades da comunidade para as facções. Toda ação que tiver suspeita, o poder público tem que estar presente. Quem não deve, não teme. Quer fazer um evento? Vá até a Ordem Pública, vá até a Polícia Militar, se identifique, traga a segurança pública para junto. Não faça nada escondido”, disse.
O vereador também fez referência à atuação da Delegacia de Ordem Pública (SORP) e à coragem dos policiais militares envolvidos na operação. Ele lembrou que outras operações no passado já identificaram vínculos entre políticos e o crime organizado, inclusive na realização de bailes funk.
“Nós tivemos aqui, ano passado ou retrasado, vereador preso por facilitação de evento de baile funk. E aí você pega a música do Oruan, que incentiva apologia não só ao consumo de drogas, mas também às facções. Ele pode dizer que não faz, mas a letra está lá. E isso tem influência direta na juventude e na comunidade”, declarou.
Durante a entrevista, Coronel Dias ampliou o debate e criticou o que chamou de “fragilidade do Estado” diante do avanço das organizações criminosas. Segundo ele, há decisões judiciais e políticas públicas que acabam favorecendo o crime organizado.
“Estamos colocando a faca no pescoço das polícias e dando liberdade para o crime avançar. Nossa legislação está atrasada, avaliamos o crime como fatos isolados, mas não enxergamos que há uma estrutura criminosa contínua. O combate ao crime organizado no Brasil está equivocado”, criticou.
O parlamentar também defendeu a proposta de classificar facções como organizações terroristas, o que permitiria, segundo ele, uma atuação mais incisiva dos órgãos de segurança e restrições legais mais duras contra seus integrantes.
Ao final, reforçou que ações sociais devem ser acompanhadas de fiscalização e integração com o poder público para evitar que sejam instrumentalizadas por grupos criminosos. “Eles também fazem ação social, também ofertam drogas nas escolas, porque é uma competição. É um comércio, é dinheiro. E isso não pode ser naturalizado”, concluiu.
A suspensão dos eventos segue sendo alvo de discussão na Câmara e nas redes sociais. A Prefeitura informou que os organizadores poderão remarcá-los, desde que apresentem a documentação exigida e obtenham a autorização dos órgãos competentes.

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