Fraude em RG dos filhos leva à prisão de aliado de Marcola

A tentativa de dois adolescentes de emitir segundas vias de documentos falsos em Cuiabá levou a polícia a localizar e prender Ricardo Batista Ambrózio, conhecido como Perfume ou Kaiak, apontado como o principal líder do Primeiro Comando da Capital (PCC) fora do sistema prisional e considerado o “braço direito” de Marcola.

Ricardo estava foragido desde 2013 e foi capturado na noite da última sexta-feira (4), em Várzea Grande, na região metropolitana de Cuiabá.

Aliado de Marcola foi preso em Mato Grosso
Liderança do PCC estava escondido em MT desde 2013. (Foto: reprodução)

Segundo o delegado da Especializada de Estelionato, Gustavo Godoy, as investigações começaram a partir de uma comunicação feita pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec).

“Dois adolescentes tentaram tirar a segunda via de documentos de identidade, mas após análise mais apurada, foi constatado que os RGs eram falsos. Os adolescentes são filhos de Ricardo”, disse o delegado.

A partir daí, a polícia descobriu que toda a família utilizava documentação falsa para viver no estado há mais de uma década. Ricardo vivia com a mulher de 32 anos, e os dois filhos, de 12 e 15 anos, todos com identidades falsas.

O delegado explicou que o investigado já havia sido identificado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo como “sintonia geral da rua” do PCC – responsável por comandar as ações da facção fora das penitenciárias.

Delegado Gustavo Godoy fala sobre a descoberta do criminoso. (Vídeo; PJC/MT)

Após a confirmação das fraudes, equipes da Polícia Civil montaram uma operação e localizaram o foragido no estacionamento de um supermercado em Várzea Grande. Ele confessou que mantinha uma arma de fogo em casa e informou que sua mulher e filhos também estavam na residência.

Durante buscas no imóvel, foram apreendidas uma pistola com a numeração raspada, três veículos e diversos celulares. A mulher apresentou outro documento falso no momento da abordagem e foi presa em flagrante.

Autuações

O delegado detalhou que Ricardo foi autuado por uso de documento falso e posse ilegal de arma de fogo com numeração suprimida. A polícia também cumpriu o mandado de prisão expedido em 2016 pela 1ª Vara Criminal de São Bernardo do Campo (SP), onde ele foi condenado a 16 anos de prisão por associação criminosa e associação para o tráfico de drogas.

As investigações apontam Ricardo como uma figura estratégica dentro da facção. De acordo com trechos da denúncia do Ministério Público de São Paulo, interceptações telefônicas comprovaram a confiança da cúpula do PCC em Kaiak. “[…] restou devidamente comprovado que ele exerce a função de sintonia geral da rua do PCC, gozando da confiança da cúpula da facção presa na PII de Presidente Venceslau”, destaca o documento.

Mudança física

O que chama atenção nesse caso é a mudança na aparência do foragido nos últimos 10 anos.

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