Apesar de chocar, o feminicídio pelas mãos de um filho não é novidade em Mato Grosso do Sul. De acordo com Painel de Monitoramento de Violência Contra a Mulher, disponibilizado pela Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública), somente na última década, 12 mães foram mortas por quem colocaram no mundo.

O grau de parentesco fica atrás somente de cônjuge e ex-cônjuge. O último caso ocorreu nesta sexta-feira (4) em Glória de Dourados. Michelly Rios Midon Oruê, de 47 anos, foi encontrada morta dentro de casa.
O filho, Alfredo Henrique Oruê, de 21 anos, está preso suspeito de ter esfaqueado a mãe até a morte. Ele foi encontrado dormindo tranquilamente em uma casa que funcionava como ponto de venda e consumo de drogas, no bairro Jockey Club.
A violência mora em casa
No Painel também aparecem namorados, irmãos, pais, sogros e cunhados. Contrariando o dito popular, inimigo não mora ao lado, ele vem de casa. Tanto que o local de ocorrência dos crimes é majoritariamente em “residência e similares”. Duzentas mulheres perderam a vida embaixo do próprio teto.
Das 350 mulheres vítimas de feminicídio nos últimos dez anos, 202 delas entre 30 e 59 anos. Mas idade também não impede que o crime aconteça. Oito crianças de 0 a 11 anos compõem as estatísticas neste mesmo período. Jovens, idosas e adolescentes vêm na sequência com 93, 26 e 12 mortes, respectivamente.
De lá para cá, 2022 foi o ano mais violento para mulheres em Mato Grosso do Sul com 44 feminicídios, seguido por 2020 com 40 e 2021 com 36. Outros 30 foram registrados em 2017, 2019 e 2023. Em 2025 o ranking já está em 17.
