Pivetta afirma que sempre repassará suspeitas para órgãos competentes: ‘cumpri minha obrigação e não me arrependo’

Governador em exercício, Otaviano Pivetta (Republicanos) declarou que não se arrepende de ter repassado à Controladoria-Geral do Estado (CGE) uma suspeita de superfaturamento em licitações da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf). Segundo ele, a medida foi uma ação necessária para garantir o uso responsável dos recursos públicos, mesmo diante de especulações sobre desgaste junto a parte dos deputados estaduais. Pivetta afirmou categoricamente que continuará agindo da mesma forma sempre que tiver conhecimento de possíveis irregularidades.

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“Tinha obrigação pública, e eu não repassei só essa. Eu já devo ter repassado, no mínimo, uma dezena de notícias para a CGE verificar, na Seduc… As notícias vêm, a gente passa. Eu não me arrependo de ter feito. E se vier notícia de algo errado em qualquer área do Estado, eu vou fazer o que eu fiz naquela vez, sem nenhuma culpa, sem nenhum problema”, disse o vice-governador, em entrevista exclusiva ao Olhar Direto.
Pivetta ressaltou que sua única participação no caso foi a de repassar a notícia à CGE, com o objetivo de evitar problemas administrativos e assegurar o bom uso do dinheiro público. A partir do momento em que o caso evoluiu para investigação criminal, ele afirma que deixou de ter qualquer envolvimento.
“O que vai dar não cabe a mim, eu não sou investigador. Eu estou aqui para fazer gestão de resultados, não estou aqui para ficar bisbilhotando a vida dos outros. Então, o que nós temos que fazer é o que foi feito”, completou.
Segundo o governador em exercício, deixar de comunicar suspeitas ao órgão de controle interno poderia configurar improbidade administrativa. “Nós cuidamos para que as secretarias, os ordenadores de despesas façam com todo o esmero para que a qualidade do gasto seja a melhor possível. Esse é o nosso dia a dia aqui. Então, quando vem alguma notícia — e já veio depois mais notícias — se existe coisa errada, a gente manda averiguar. Eu faço isso, o governador faz isso. É papel, é dever nosso fazer isso”, disse ao Olhar Direto.
Notícia, investigação e vazamento
A notícia sobre supostas irregularidades na Seaf, repassada por Pivetta à CGE, deu origem a auditorias e notas técnicas internas. Esses documentos foram encaminhados à Polícia Civil e subsidiaram a abertura de investigação na Delegacia de Combate à Corrupção (Deccor), que deflagrou a Operação Suserano, em setembro de 2024. A operação apura um suposto esquema de superfaturamento na execução de emendas parlamentares.
“Primeiro nós temos que usar o termo certo. Denúncia é com polícia. Nós fizemos uma notícia, repassamos uma notícia que nós recebemos da Seaf. Lá de dentro da Seaf veio uma notícia para mim e eu repassei para o órgão que existe para fazer isso, fazer o controle dentro do governo — a Controladoria-Geral do Estado. Fazer o controle, não permitir que as coisas se descontrolem. Então, a minha intenção foi apenas cumprir com o meu dever de ofício. Eu passei para a CGE. Daí para frente, a CGE foi verificar”, explicou.
A CGE apontou sobrepreço em contratos da Seaf com uma empresa ou instituto responsável pelo fornecimento de kits. A partir da divulgação da operação, o então secretário de Agricultura Familiar, Luluca Ribeiro (MDB), foi exonerado pelo governador Mauro Mendes.
Em maio de 2025, a Deccor remeteu o inquérito ao Núcleo de Ações de Competência Originária (NACCO) do Ministério Público, após encontrar indícios da participação de deputados estaduais no esquema. No mês seguinte, o relatório da Deccor vazou à imprensa e foi divulgado por um portal nacional com destaque para a citação de 14 deputados e ex-parlamentares envolvidos em suposto superfaturamento de emendas.
A revelação provocou forte reação da Assembleia Legislativa, que resultou na convocação do controlador-geral do Estado, Paulo Farias Nazareth Netto, para prestar esclarecimentos. A pressão dos deputados levou o presidente da ALMT, Max Russi (PSB), a pedir ao governador que determinasse uma investigação sobre o vazamento. Mauro Mendes atendeu o pedido e abriu apuração formal sobre a origem do documento divulgado.

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