Mendes diz que emendas são utilizadas para interesses políticos, sem benefícios à sociedade

O governador Mauro Mendes (UNIÃO) criticou o modelo de administração de emendas parlamentares em audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF), nesta sexta-feira (27). Representando os governadores, Mendes questionou a qualidade da alocação das emendas e o modo como os valores são utilizados. 

Leia também
Governo decide construir túnel no paredão do Portão do Inferno após sondagens técnicas descartarem retaludamento

Ele afirmou que as emendas se tornaram mais um instrumento político do que uma ferramenta em prol da sociedade e defendeu que é o recurso seja utilizado para fazer investimentos qualificados, para que possam “produzir um país que se torne competitivo no plano interno e no plano internacional”.
“Eu chamo atenção para a qualidade da locação dessas emendas. Nós temos no orçamento federal R$ 50 bilhões [em emendas]. É muito dinheiro. Poderia desafiar em todo o Brasil quais as obras estruturantes, quais os impactos relevantes que essa grandiosa cifra do recurso produziu nesse país. Não estou tirando o mérito das pequenas intervenções. Mas um país não cresce se não for capaz de fazer suas grandes obras e ações”, criticou. 
“Essas emendas hoje servem muito mais como instrumento da gestão política dos seus atores, de interesses eleitorais, do que dos interesses maiores da sociedade brasileira e do nosso país”, disparou. 
Ainda em sua fala, o governador citou as alterações feitas pelos deputados na Constituição mato-grossense que obriga a execução de até 0,2% da receita corrente líquida do exercício anterior em emendas de bancada e de bloco parlamentar no projeto de lei orçamentária anual. 
Ele criticou os deputados e afirmou que, se o modelo se replicar pelas Câmaras Legislativas Brasil afora, os vereadores terão mais poder do que prefeitos. 
“Eu fico bastante preocupado porque no meu estado são R$ 600 milhões que foram e estão sendo aplicados e as anomalias começam a acontecer. Não satisfeitos com os 2% – e já é objeto de questionamento nesta mesma Corte -, eles criaram as emendas de bancadas como se pudesse, por simetria, replicar aquilo que a Constituição Federal prevê de emendas de bancada”, disse. 
“Já pensou os 5.570 municípios brasileiros, tendo as suas câmaras de vereadores 2% do orçamento para fazer o que eles bem entendem. Levantamentos recentes comprovam que metade dos municípios brasileiros conseguiram investir em algo próximo de 3%. E quando os vereadores avançarem sobre os 2% do orçamento terão mais recurso do que teria ou terá o prefeito”, completou. 
A audiência foi convocada pelo ministro Flávio Dino, relator das ações, que tratam da questão no STF. 
O impasse sobre o pagamento das emendas começou em dezembro de 2022, quando o STF entendeu que as emendas chamadas de RP8 (comissão) e RP9 (relator) eram inconstitucionais. Após a decisão, o Congresso Nacional aprovou uma resolução que mudou as regras de distribuição dos recursos para cumprir a determinação da Corte.

 

Fonte


Publicado

em

por

Tags: