‘Se tenho casa própria, por que continuar pagando aluguel?’, questiona Mauro ao descartar compra da Santa Casa

O governador Mauro Mendes (União Brasil) descartou, nesta segunda-feira (7), a possibilidade de o Governo de Mato Grosso adquirir o prédio da Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá, como sugerido por conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) e por parlamentares. Segundo ele, o Executivo já paga uma indenização mensal pelo uso do espaço e pretende, em breve, transferir os atendimentos para o Hospital Central.

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“Hoje nós temos um hospital em uma sede alugada, pagando quase R$ 500 mil por mês de aluguel. O cidadão quer que a gente continue pagando esse aluguel? Não. Todos os serviços que nós temos lá hoje vão ser ampliados, melhorados em uma sede própria do governo. Ponto. É isso”, afirmou Mendes, em entrevista coletiva.
O governador reagiu às sugestões feitas pelo presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo, que defende a formalização da compra do hospital. A proposta foi apresentada no mês passado durante reunião com o secretário estadual de Saúde, Gilberto Figueiredo, e o conselheiro Guilherme Maluf, diante da preocupação com um possível encerramento das atividades da unidade hospitalar mais antiga do estado.
De acordo com Sérgio Ricardo, o governo já teria iniciado, na prática, o processo de aquisição da Santa Casa por meio dos repasses realizados desde 2019 para o pagamento de dívidas trabalhistas da unidade. “Na nossa visão, o Estado já está pagando pela aquisição. O que propomos é que isso seja formalizado”, disse o conselheiro.
Mendes, no entanto, afastou a hipótese de compra. “Essa conversa é técnica. Ela não é uma conversa de ‘rame-rame’, de ‘eu acho, um monte de gente acha’. Eu respeito o TCE, converso com eles, com a Assembleia, com qualquer um. Mas essa é uma decisão racional sobre a melhor aplicação do recurso público”, afirmou.
O secretário Gilberto Figueiredo também afirmou que não há intenção de fechar a Santa Casa e que o governo está reorganizando a rede hospitalar, com a abertura do Hospital Central e a futura entrega do novo Hospital Júlio Muller. Segundo ele, os repasses feitos à Santa Casa não são tecnicamente aluguel, mas sim indenizações pelo uso das instalações e equipamentos, já que a massa falida da instituição está sob responsabilidade do Tribunal Regional do Trabalho (TRT). “Já foram mais de R$ 29 milhões ao longo desse período de utilização”, afirmou.
Na próxima semana, o TCE pretende retomar as conversas com o TRT para discutir a possibilidade de aquisição formal do prédio e o pagamento das dívidas via eventual Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre o Estado, o tribunal e os credores trabalhistas.
Apesar disso, o governador sinalizou que a decisão já está tomada. “Se você tem uma casa alugada e compra uma casa própria, você tem que continuar pagando aluguel? Claro que não”, concluiu.

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