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“A soberania e a autonomia dos poderes de cada país precisam ser respeitadas. É inadmissível que um chefe de Estado tenha capacidade de interferir na soberania de outro país. Quem acaba sendo prejudicado é o próprio povo americano”, declarou. “Espero que nas próximas horas a diplomacia brasileira e norte-americana tenham bom senso.”
O ministro disse que Trump age como “xerife do mundo” ao impor restrições unilaterais e questionou o posicionamento do presidente norte-americano, que se define como liberal, mas adota políticas de fechamento comercial. “Ele quer ser o delegado do mundo, dizendo como cada país deve agir, impondo restrições nunca vistas na história”, disse Fávaro.
A nova tarifa foi anunciada por Trump em carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na quarta-feira (9), com previsão de entrada em vigor no dia 1º de agosto. Entre os motivos alegados pelo republicano está o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo Supremo Tribunal Federal, classificado por ele como uma “vergonha internacional”.
Fávaro destacou que o Brasil mantém relações diplomáticas com os EUA há mais de 200 anos e que o comércio entre os dois países é historicamente superavitário para os norte-americanos. “São basicamente três os produtos afetados: suco de laranja, carne bovina e café. Com a tarifa de 50%, simplesmente acaba o comércio com os EUA. Ninguém opera com essa margem”, avaliou.
Segundo o ministro, o governo brasileiro deve atuar com diplomacia, mas também considerar a aplicação de medidas de reciprocidade, como já ocorre em outras situações. Ele mencionou como exemplo a lei apresentada pela senadora Tereza Cristina (PP-MS), que prevê resposta proporcional em casos de restrição comercial contra o Brasil. “Não se trata de vingança, mas de garantir a soberania nacional e o respeito às nossas práticas”, afirmou.
Fávaro lembrou que, desde o início do atual governo, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) vem ampliando o acesso a novos mercados internacionais. Segundo ele, foram abertas 393 novas oportunidades comerciais, resultado de mais de 100 viagens oficiais – 54 delas lideradas pelo próprio ministro. “Nosso saldo da balança comercial é recorde. O Brasil não tem contencioso com nenhum país no mundo.”
O ministro comparou a situação à retaliação imposta pela China aos EUA em disputas comerciais recentes. “A China aplicou reciprocidade, colocou 125% de tarifa, e acabou o comércio. Ninguém vai vender para os EUA com 50% de imposto, porque não há margem”, disse. “Agora é agir com as armas da negociação e esperar o retorno ao bom senso.”
Fávaro também criticou a instabilidade nas decisões de Trump. “Quantas vezes ele toma uma atitude e três dias depois muda? Fala de um jeito, age de outro. Espero que seja mais um blefe, uma decisão momentânea.”
Após o anúncio da tarifa, o presidente Lula declarou que o Brasil “não aceitará ser tutelado por ninguém” e que responderá ao aumento unilateral com base na Lei da Reciprocidade Econômica.

Fávaro critica tarifa de Trump, chama presidente dos EUA de ‘xerife do mundo’ e diz torcer por blefe
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, criticou a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar tarifa de 50% sobre produtos brasileiros exportados aos EUA. Em entrevista à Rádio Jovem Pan FM, na manhã desta quinta-feira (10), Fávaro classificou a medida como uma interferência direta na soberania nacional e afirmou esperar que a decisão seja apenas um blefe.
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