Fávaro responsabiliza grupo de Bolsonaro por tarifa de Trump e diz que Eduardo ‘pediu retaliação’ ao Brasil

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD), atribuiu ao grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a responsabilidade pela decisão do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Segundo Fávaro, a medida anunciada por Trump nesta quarta-feira (9) foi motivada por ações e declarações do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente, que está morando nos Estados Unidos desde março.

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Em entrevista concedida à rádio Jovem Pan na manhã desta quinta-feira (10), Fávaro afirmou que a provocação partiu do próprio grupo bolsonarista, que passou a acusar o Supremo Tribunal Federal (STF) e o governo Lula (PT) de perseguição política. O ministro mencionou diretamente a atuação de Eduardo Bolsonaro no exterior como catalisadora da retaliação norte-americana.
“O fato é: quem foi provocar, dia e noite, inclusive com um deputado brasileiro licenciado nos EUA, foi exatamente esse grupo político. Ele pediu para isso, para que a retaliação aos brasileiros acontecesse. Aconteceu. Portanto, quem é o culpado? Não gosto de levar por esse lado, de buscar culpados, mas o fato real é esse”, afirmou o ministro. “Eduardo Bolsonaro está morando nos EUA, fez vídeo gravando. Ele quis retaliar o Brasil por uma questão pessoal”, completou.
Segundo Fávaro, a decisão de Trump rompe com os trâmites convencionais da diplomacia e insere os interesses pessoais de aliados políticos na agenda comercial entre países. A medida surpreendeu o setor produtivo, que teme impactos na competitividade das exportações brasileiras, principalmente de commodities agrícolas.
Eduardo Bolsonaro agradeceu publicamente a Donald Trump pela sanção comercial. Em publicação feita na plataforma Truth Social, utilizada pelo ex-presidente americano, o deputado escreveu: “Obrigado, presidente Donald J. Trump. Espero que as autoridades brasileiras agora tratem esses assuntos com a seriedade que merecem. O Brasil não pode — e não vai — se tornar outra Venezuela, Cuba ou Nicarágua. Deus abençoe os Estados Unidos, Deus abençoe o Brasil”.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) analisa se há possibilidade de responsabilização do deputado licenciado por sua atuação nos Estados Unidos. Segundo informações da CNN Brasil, auxiliares do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ministros do STF consideram que há indícios de que a ofensiva de Trump tenha sido incentivada por Eduardo, que tem feito postagens com críticas ao Judiciário e defendido anistia a investigados por atos antidemocráticos no Brasil.
O parlamentar afirmou que sua permanência nos EUA tem como objetivo denunciar supostos abusos do STF contra a direita brasileira. Em vídeo publicado nas redes sociais, sugeriu que a saída para o país é uma “anistia ampla, geral e irrestrita” e a responsabilização de autoridades por “abuso de poder”, citando diretamente o ministro Alexandre de Moraes, do STF.
A imposição tarifária de Trump foi interpretada por membros do governo e do Judiciário como uma escalada nas tensões entre o bolsonarismo e as instituições brasileiras, com possível repercussão na diplomacia e na economia do país.

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