O queijo maturado de casca florida Yatavé de Leverger, que nasceu de um “erro”, foi premiado com medalha de ouro no maior evento de valorização do queijo artesanal do mundo, a ExpoQueijo 2025, em Araxá (MG), no final de junho. O queijo também ganhou medalha de prata no evento Prêmio Queijo Brasil, no dia 10 deste mês, em Blumenau (SC).

Produzido no sítio Milagre da Vida em Santo Antônio de Leverger (MT), o queijo premiado surgiu de um acidente no processo de produção. A maturação do queijo exige uma técnica de limpeza chamada “toalete” para que o queijo fique com a casca limpa e lisa, sem a presença de mofo.
“Acidentalmente houve uma falha na produção, passamos uma semana sem realizar o processo de toalete, e quando abrimos a geladeira estava tomado de mofo, quase jogamos ele no lixo”, disse a produtora Ludymilla Caramori de Abreu.
Em meio ao desespero, ela entrou em contato com um amigo, o professor Silas Vicente Barbosa Junior, que também é produtor de queijos na região de Santo Antônio de Leverger. “Ele me disse: ‘não, não joga fora, pelo amor de Deus, traz o queijo do jeito que ele está para eu experimentar’ e eu levei”, contou.

Yatavé de Leverger é um queijo produzido com leite A2A2, uma variedade livre de proteína A1 que gera desconforto em pessoas intolerantes à lactose. Para a produtora, a escolha dessa variedade se deu para atender aos consumidores que possuem intolerância e isso se tornou um diferencial no mercado.
Com uma produção diária de 80 litros de leite tipo A2A2, a produção vai além de queijos. Eles também produzem outros derivados como doce de leite e requeijões de corte e cremoso, iogurtes naturais, doce de leite e pão de queijo, todos produzidos artesanalmente.
Ela explicou a ideia do nome para o queijo inesperado que se tornou um sucesso. “Yatavé significa agradar e estamos tendo essas surpresas boas, aí de dele ser bem recebido na comunidade queijeira, né, nos concursos de queijo e tá sendo bem avaliado” finalizou a produtora.
A ExpoQueijo Brasil 2025 aconteceu entre os dias 26 e 29 de junho, em Araxá, e premiou produtores de quatro países.
O Brasil liderou o ranking com 39 conquistas “Ouro”, seguido por Itália, Argentina e Peru. Minas Gerais foi o estado com maior número de premiações. O concurso avaliou mil queijos artesanais de 16 países, julgados por cerca de 200 especialistas de sete nacionalidades.