Leia mais: Operação mira advogado e casal que lavavam dinheiro do tráfico com empresas de fachada; R$ 2 milhões bloqueados
A ação ocorreu nas cidades de Alta Floresta, Carlinda, Sinop e Cuiabá, com o cumprimento de 14 mandados de busca e apreensão, 11 intimações para monitoramento eletrônico e 1 mandado de prisão preventiva. Em Cuiabá, uma loja de eletrônicos suspeita de ser usada para lavar dinheiro foi lacrada após constatação de ausência de controle fiscal, contábil e emissão de notas.
Em Sinop, o advogado Roberto, que vive em um condomínio de luxo, teve veículos e joias de alto valor apreendidos. Já em Alta Floresta, o casal foi preso em flagrante com diversas porções e envelopes de cocaína. A investigação revelou uma estrutura criminosa organizada e setorizada, com núcleos operacional, jurídico e financeiro, usando empresas de fachada e depósitos pulverizados para movimentar valores milionários do tráfico.
As ordens judiciais foram expedidas por diferentes varas, com apoio do Gaeco-MT. Os mandados locais partiram da 4ª Vara Criminal de Alta Floresta, enquanto as medidas financeiras e jurídicas foram autorizadas pelo Núcleo de Inquéritos Policiais (Nipo) do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
Coordenada pelo delegado André Victor de Oliveira Leite, a operação contou com cerca de 40 policiais civis, com apoio de unidades de Alta Floresta, Sinop, Sorriso, Colíder, Paranaíta, Apiacás, Nova Bandeirantes e da DENARC, da capital.
O nome da operação faz referência à ruptura dos investigados com os valores legais e sociais, escolhendo o crime como modo de vida. Segundo a Polícia Civil, a ofensiva tem como objetivo desarticular facções regionais, interromper o fluxo financeiro do tráfico e descapitalizar os envolvidos.
Operação Gravatas
Os advogados Roberto Luís de oliveira, Hingritty Borges Mingotti e Jéssica Maróstica foram condenados por organização criminosa a penas que, somadas, chegam aos 14 anos. Eles também tiveram o direito de advogar suspenso, bem como serão monitorados por tornozeleira. Já o jurista Tallis de Lara Evangelista foi absolvido. Três membros do Comando Vermelho foram sentenciados a 19 anos. Todos eles foram alvos da Operação Gravatas, deflagrada em março de 2024 para desbaratar as ações entre os juristas e os faccionados no município de Tapurah. Sentença foi proferida em janeiro pelo juiz Anderson Clayton Dias Batista, da 5ª Vara Criminal de Sinop.
Roberto Luís de Oliveira, identificado como líder do núcleo jurídico, recebeu pena de cinco anos, cinco meses e dez dias de reclusão em regime semiaberto. Já Hingritty foi condenada a cinco anos e quatro meses de prisão, enquanto Jéssica Daiane Maróstica foi sentenciada a quatro anos e oito meses, ambas no regime semiaberto. Tallis Lara foi absolvido de todos os crimes por falta de provas.
Na mesma sentença, o juiz decidiu absolver os advogados do delito de colaborar, como informante, para o tráfico de drogas. Eles poderão recorrer em liberdade.
De acordo com as investigações, Roberto seria o líder do núcleo jurídico, responsável por estabelecer as ligações e fazer girar a engrenagem do esquema, arregimentando clientes e organizando transferências.
Os advogados atenderiam aos interesses dos faccionados em troca de dinheiro. Informações sigilosas eram repassadas aos membros do Comando Vermelho pelo grupo, em troca de proteção e pecúnia. Centenas de milhares de reais em espécie foram encontrados com os alvos.

Condenado por liderar “núcleo jurídico’ do CV, advogado é alvo de nova operação por lavagem e tráfico
Condenado por liderar núcleo jurídico do Comando Vermelho em Mato Grosso, o advogado Roberto Luís de Oliveira foi novamente alvo da políca: desta vez, entrou na mira da Operação Heresia, deflagrada contra um esquema de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro nesta quarta-feira (16). Os alvos principais são Roberto, já condenado por associação criminosa, e um casal preso em flagrante com cocaína em Alta Floresta. A Justiça determinou o bloqueio de contas e sequestro de bens no valor de até R$ 2 milhões por investigado principal.
por
Tags: