Casal e PMs se tornam réus no processo que investiga a morte de Renato Nery

O judiciário de Mato Grosso tornou réu o casal de empresários Julinere Goulart Bentos e Cesar Jorge Sechi, acusados de serem os mandates do assassinado do advogado Renato Nery, ocorrido em julho do ano passado.

A decisão foi proferida nesta quarta-feira (23) pelo juiz Francisco Ney Gaíva, que ainda acolheu a denúncia formulada pelo Ministério Público Estadual (MPE) contra os policiais militares Jackson Pereira Barbosa, Heron Teixeira Pena Vieira e José Flávio de Sousa, acusados de envolvimento no crime.

Casal suspeito de mandar matar Renato Nery é alvo de operação em Primavera do Leste. (Foto: Reprodução)
Casal suspeito de mandar matar Renato Nery se torna réu em ação penal. (Foto: Reprodução)

Segundo a acusação, o crime foi encomendado por Julinere e Cesar Sechi, após o casal ter sido derrotado em uma ação judicial relacionada a uma disputa por uma fazenda de mais de 12 mil hectares, localizada no município de Novo São Joaquim, a 493 km de Cuiabá. Eles teriam oferecido R$ 200 mil pela execução do crime, motivados por vingança e interesses patrimoniais.

A investigação detalha que o casal, movidos pela vingança e pelo ressentimento, comandaram o crime, demonstrando uma postura fria e calculista ao usar o assassinato para tentar reverter o insucesso judicial.

De acordo com o Ministério Público, o plano foi articulado com o apoio dos policiais militares Jackson Barbosa, Heron Vieira e José Flávio, que agiram como intermediários entre os mandantes e o executor, além de auxiliarem com a logística da emboscada.

O autor dos disparos foi identificado como Alex Roberto de Queiroz Silva, que também figura entre os denunciados.

jackson e icaro pms caso nery
Jackson Pereira Barbosa e Ícaro Natan Ferreira também se tornaram réus pela morte do advogado de Renato Nery. (Foto: Reprodução)

Renato Nery foi alvejado por tiros em frente ao próprio escritório, na Avenida Fernando Corrêa, em Cuiabá. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos.

O crime foi classificado pelo MPE como homicídio triplamente qualificado: cometido por motivo torpe, mediante emboscada e com uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

Além do homicídio, os réus respondem por organização criminosa armada, tendo, segundo as investigações, utilizado documentos falsos, placas clonadas e tentativas de suborno para dificultar a apuração dos fatos.

O juiz Francisco Ney Gaíva, da 11ª Vara Criminal da Capital, recebeu integralmente a denúncia, o que significa que todos os acusados responderão formalmente pelas acusações no curso do processo.

A morte de Renato Nery, que era conhecido por atuar em causas agrárias e litígios fundiários, causou forte comoção no meio jurídico e expôs uma rede criminosa que unia interesses privados, violência e uso de agentes públicos armados para eliminar um desafeto judicial.

Com a aceitação da denúncia, os acusados seguem para a fase de instrução do processo, e o caso poderá ser levado a júri popular. A investigação continua sob responsabilidade do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (GAECO) e da Polícia Civil.

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