O Centro-Oeste registrou 8.567 desaparecimentos de pessoas em 2024, segundo dados do Anuário de Segurança Pública, publicado nesta quinta-feira (24) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O levantamento relaciona os casos com a expansão de facções criminosas e cita Mato Grosso com exemplo de estados em que cemitérios clandestinos são usados para esconder corpos.
Segundo o Anuário, muitos desses desaparecimentos não são casos de pessoas que sumiram por vontade própria, mas sim vítimas de homicídios ocultos, com os corpos enterrados em áreas de mata ou cemitérios clandestinos.

O Anuário aponta também que em áreas controladas por facções o desaparecimento de pessoas pode ser usado como forma de esconder assassinatos. Assim, corpos são enterrados em locais clandestinos para dificultar as investigações e impedir a identificação das vítimas.

A conexão entre os desaparecimentos e crimes violentos faz sentido quando se analisa investigações recentes no estado. Em janeiro deste ano, por exemplo, 11 corpos foram encontrados enterrados em um cemitério clandestino em Lucas do Rio Verde, a 360 km de Cuiabá.
Na época em que os corpos foram localizados, o delegado João Antônio Batista, responsável pela investigação, disse que a descoberta reforçava o padrão de atuação das facções criminosas e uma guerra entre essas organizações.
“Existe relação direta com essa guerra de facções, é o mesmo modus operandi. Há um padrão claro: as vítimas são sequestradas, levadas a locais de mata e executadas”, explicou.

A investigação apontou que algumas das vítimas haviam desaparecido dias antes em circunstâncias semelhantes: retiradas de casa e levadas à força para áreas de mata fechada.
No mês seguinte, em fevereiro, a Polícia Civil localizou 10 corpos em outro cemitério clandestino em Rondonópolis, a 218 km da capital, na região da Gleba Rio Vermelho.

Já em maio deste ano, dois corpos com marcas de tiros na cabeça e sinais de perfuração por faca foram encontrados em Paranatinga, a 411 km de Cuiabá. O delegado Eric Martins, responsável pela investigação, afirmou que a área era usada por uma facção justamente para esconder os corpos e impedir a identificação deles.
“As vítimas foram assassinadas por uma facção criminosa e enterradas em uma área isolada para não serem encontradas”, relatou à época.

Os investigadores chegaram ao local depois de uma denúncia anônima. Para localizar os corpos, policiais civis e peritos da Politec (Perícia Oficial Técnica) tiveram que usar pás e um detector de metais. A remoção exigiu o uso de máquina retroescavadeira, devido à profundidade das covas e à dificuldade de acesso ao terreno.