Governador diz que crise com EUA está sendo transformada em palanque político para 2026

O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União), criticou a tentativa de diferentes setores políticos de transformar o tarifaço anunciado pelos Estados Unidos em uma ferramenta eleitoral. Segundo ele, figuras políticas estão fazendo jogo do “quanto pior, melhor”, mas o momento é de foco na economia e não de usar a crise como combustível para a disputa de 2026. O assunto tem pautado embates públicos entre várias lideranças do estado.

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“Esse embargo com os Estados Unidos pode trazer graves consequências para a economia brasileira no curto, médio e longo prazo. Então é momento de pensar no Brasil, e não ficar pensando nas eleições de 2026, como eu estou vendo muita gente fazendo aí: olhando para 2026, então é bom o caos”, disse Mauro, nesta sexta-feira (25).
A tensão comercial se agrava com a aproximação do dia 1º de agosto, data em que deve começar a valer a taxa de sobretaxa de 50% sobre os produtos brasileiros anunciados pelo presidente Donald Trump. Sem citar nomes, Mauro apontou que diferentes lideranças políticas estão tentando tirar proveito do conflito para se projetar eleitoralmente. 
De um lado, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) assumiu para si a narrativa do tarifaço, cobrando do governo brasileiro anistia “geral e irrestrita” ao pai, Jair Bolsonaro, como condição para evitar a retaliação norte-americana. De outro, aliados de Jair e lideranças do PL culpam o presidente Lula (PT) e o ministro do STF, Alexandre de Moraes, pelo rompimento de confiança com os EUA.
Por sua vez, o presidente Lula (PT) tenta usar a crise como uma forma de unificar o eleitorado nacional contra um “inimigo externo”, reforçando seu discurso de defesa da soberania e ganhando musculatura política com isso. 
E todos esses setores refletem em Mato Grosso. O deputado federal José Medeiros (PL) viajou para os Estados Unidos e gravou vídeo junto com Eduardo Bolsonaro cobrando a anistia. O senador Wellington Fagundes (PL) falou em moderação e foi criticado pelo deputado estadual Gilberto Cattani (PL). O senador Margareth Buzzeti (PSD) também já se envolveu em polêmica ao chamar Eduardo Bolsonaro de moleque.
“É momento de ter foco, não de ficar nesse joguinho aí, tentando se aproveitar. É um lado, é outro, tirando vantagem eleitoral para 2026 de um caos econômico que pode ter no Brasil. É muito ruim”, disse Mauro Mendes.
o governador reforçou que a crise é séria demais para virar munição de campanha. Disse ainda que, independentemente de quem são os responsáveis pelo agravamento da situação, os efeitos vão recair sobre toda a população brasileira.
“Independente de quem é o culpado, e provavelmente tenha sim culpados aí, todos nós brasileiros poderemos pagar a conta disso. […] Eu não vou aqui ficar acusando autoridades, mas todo mundo no Brasil sabe quem errou um pouco mais ou um pouco menos. Nós temos que olhar para a economia brasileira, para os brasileiros, olhar para aquilo que realmente importa. Se não, todos nós vamos pagar a conta dessa confusão que arrumaram e que pode aumentar no Brasil.”

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