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No discurso, Flávia afirmou que a atual administração encontrou unidades de saúde sem estrutura básica e que, desde o início do mandato, tem enfrentado dificuldades para manter o funcionamento da rede pública. A prefeita criticou a ausência de adesão ao projeto do governo estadual de cirurgias eletivas em 2022 e alegou que a incompetência comprometeu os recursos recebidos atualmente do governo federal.
“Como que Várzea Grande não aderiu? Por incompetência. É por isso que hoje nós estamos mudando a história de Várzea Grande”, declarou. Segundo ela, enquanto municípios como Rondonópolis e Lucas do Rio Verde recebem cerca de R$ 14 milhões mensais do Ministério da Saúde por meio do Teto MAC, Várzea Grande recebe apenas R$ 3,7 milhões.
O Teto MAC (Média e Alta Complexidade Ambulatorial e Hospitalar) é um mecanismo de financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS) voltado ao custeio de procedimentos como consultas especializadas, exames, cirurgias e internações. Os valores são definidos com base na produção anterior dos municípios e estados, mediante pactuação com o Ministério da Saúde.
A prefeita explicou que, por causa da defasagem histórica, será necessário pelo menos um ano para que o teto do município seja revisto. “Você acha que já vai receber R$ 40 milhões, R$ 20 milhões? Não. Vai receber mais R$ 5 milhões”, completou.
Durante o evento, Flávia também mencionou a ausência de repasses do governo federal para custeio em 2025. “No ano passado, o município já tinha recebido R$ 60 milhões em emendas para custeio. Eu não recebi um real até agora do Poder Federal”, reclamou. De acordo com a gestora, os recursos estaduais e municipais têm sido utilizados principalmente para cirurgias do programa Fila Zero e ações estruturais.
Ela ainda destacou que a cultura política de Várzea Grande está sendo transformada e que o objetivo da atual gestão é “fazer saúde, e não política com a saúde”. “O pronto-socorro, as UPAs, as Unidades de Saúde devem ser para dar saúde, e não para nós fazermos política em cima dela”, afirmou.
Segundo a prefeitura, já foram realizados 37 mil procedimentos desde o início da atual administração. O novo mutirão deve contemplar 600 cirurgias em diversas especialidades, entre elas ginecológicas e ortopédicas. Para a prefeita, a dificuldade de acesso a procedimentos básicos reflete uma “inversão de valores” que precisa ser enfrentada com políticas públicas contínuas.
“Estamos cumprindo o dever constitucional de garantir o direito à saúde. Aqui não é sonho realizado de cirurgia. Aqui é dever. Que nunca cumpriram com o dever, com o direito”, concluiu.

Com menor repasse do SUS, Várzea Grande faz ginástica financeira para manter saúde, diz prefeita
A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), atribuiu à “incompetência” da gestão anterior, comandada por Kalil Baracat (MDB), a baixa cobertura de repasses federais destinados à saúde do município. A declaração foi feita nesta sexta-feira (1º), durante o lançamento do mutirão de cirurgias eletivas que integra o programa “Fila Zero”, com objetivo de reduzir a fila de espera por procedimentos cirúrgicos na rede pública.
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