Quase um ano após o acidente aéreo que matou 62 pessoas em Vinhedo (SP), um novo relato traz à tona uma possível falha não documentada que pode ter contribuído para a tragédia. Um ex-auxiliar de manutenção da Voepass revelou ao g1 que o piloto que havia utilizado o avião ATR 72-500 na madrugada anterior ao acidente informou verbalmente à equipe técnica que o sistema de degelo estava apresentando problemas — mas a falha não foi registrada no diário de bordo da aeronave.

Segundo o ex-funcionário, que teve acesso à última manutenção feita antes do voo 2283, o piloto teria relatado que o sistema de degelo do avião estava se desativando sozinho durante o voo, o que não deveria ocorrer. Mesmo assim, como não houve anotação formal do problema no documento técnico obrigatório (TLB – Technical Log Book), a aeronave foi liberada para voar.
“Essa aeronave nunca tinha apresentado esse tipo de falha. Mas no dia do acidente, quando ela chegou de Guarulhos para Ribeirão, o comandante informou verbalmente que o sistema de degelo apresentou falhas. Ele acionava e o sistema desarmava sozinho. Isso não poderia acontecer”, afirmou a testemunha.
De acordo com o Regulamento Brasileiro da Aviação Civil (RBAC), o sistema de degelo precisa estar em pleno funcionamento em voos com possibilidade de formação de gelo, como era o caso da rota entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP), realizada na manhã do acidente.
Com informações do g1
Relembre o caso
O acidente ocorreu no início da tarde de 9 de agosto de 2024, quando um avião da Voepass que fazia o voo 2283 caiu em um bairro residencial de Vinhedo (SP). A aeronave, um modelo ATR 72-500, havia decolado de Cascavel (PR) com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP).
Havia 62 pessoas a bordo, sendo 58 passageiros e 4 tripulantes. Todas morreram na queda. A tragédia aconteceu nas proximidades do condomínio Recanto Florido, onde equipes do Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e Polícia Militar foram mobilizadas.
A empresa informou, na época, que prestava apoio às famílias das vítimas e colaborava com as investigações. O caso segue sendo analisado por órgãos da aviação civil e do Ministério Público.
A nova informação divulgada agora reacende discussões sobre os procedimentos de segurança e fiscalização da manutenção da aeronave antes do voo. O relatório final do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) ainda não foi divulgado.