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MPF arma que Abílio atacou a democracia ao interromper professora que falou “todes” durante conferência
A manifestação ocorre dois dias após o MPF divulgar nota pública classificando como “ataque à democracia” a conduta do prefeito durante a 15ª Conferência Municipal de Saúde, em Cuiabá, onde Abilio interrompeu a fala da professora e doutora em Saúde Pública Maria Inês da Silva Barbosa ao ouvi-la usar a expressão “todos, todas e todes” na saudação ao público.
“Não é razoável que uma entidade séria como o Ministério Público Federal, com brilhantes promotores, defendam sem plausível justificativa a distorção da língua portuguesa, a militância política na discussão da saúde pública e a exclusão das pessoas com dislexia na universalidade do acesso à saúde. Por fim, ‘todes’ não existe.”
O prefeito defendeu o uso do termo “todos” como universal e inclusivo, amparado na Constituição Federal, e argumentou que a linguagem neutra não está prevista oficialmente na língua portuguesa e pode, segundo ele, dificultar a compreensão por pessoas com deficiência, como surdos e disléxicos.
Além disso, Abilio citou que a própria professora teria reconhecido, em entrevista posterior, que utilizou a linguagem como ato político. “Chamar de inclusão aquilo que gera exclusão não é razoável, tampouco democrático”, escreveu.
Na sexta-feira (1º), o MPF e a Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão manifestaram solidariedade à professora e repudiaram a atitude do prefeito. Segundo o órgão, a interrupção da fala de Maria Inês Barbosa, que também é pesquisadora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), fere os princípios do SUS, especialmente o da equidade, e representa uma violação ao direito à livre manifestação em espaços de construção coletiva.
“A conduta do chefe do Executivo municipal de Cuiabá, ao calar uma mulher negra, pesquisadora e ativista, em um espaço de construção coletiva, é um ataque à democracia e aos princípios que regem a sociedade brasileira”, destacou o texto.
O episódio ocorreu na última quarta-feira (30) e ganhou repercussão nacional após o militante Julian Tacanã, do Instituto Brasileiro de Transmasculinidades (IBRAT), também interpelar o prefeito publicamente durante o evento. A discussão se ampliou quando Brunini se referiu a Julian com o pronome incorreto, mesmo após ser corrigido.
Professora diz que tentaria abordar temas estruturais do SUS
Após deixar o palco, a professora Maria Inês criticou a postura do prefeito e disse que sua fala trataria de questões como privatização e terceirização da saúde. Ela também defendeu o uso da linguagem inclusiva como parte do compromisso com a diversidade e a equidade nas políticas públicas de saúde.

Abilio responde MPF e reafirma veto à linguagem neutra: não é razoável defender isso
O prefeito Abilio Brunini (PL) respondeu ao Ministério Público Federal (MPF) neste domingo (3) com uma publicação nas redes sociais, em que criticou o uso da linguagem neutra e acusou o órgão de defender, sem justificativa plausível, a “distorção da língua portuguesa” e a “militância política” no debate sobre saúde pública.
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