O assalto à agência bancária do Sicredi em Brasnorte, no noroeste de Mato Grosso, foi minuciosamente planejado por cerca de 20 dias e teve a participação de empresários e Policiais Militares da cidade.
A informação foi confirmada durante uma entrevista coletiva, nesta segunda-feira (4), que reuniu a força-tarefa das polícias Civil e Militar.

Até o momento, 14 pessoas foram presas, entre elas empresários locais e dois PMs. As investigações apontam que o grupo criminoso simulou uma fuga para despistar as autoridades, retornando ao município dias depois.
O crime aconteceu na última quinta-feira (31), quando criminosos armados invadiram o banco, fizeram reféns e fugiram levando uma quantia ainda não revelada em dinheiro. A ação mobilizou centenas de agentes de segurança de Mato Grosso e Rondônia, inclusive com apoio aéreo.
De acordo com o delegado Gustavo Belão, do GCCO (Gerência de Combate ao Crime Organizado), reuniões entre os envolvidos ocorreram ao longo de três semanas, com o envolvimento direto de empresários da cidade.
“Existe prova e informações de que o planejamento iniciou há 20 dias, com reuniões feitas por empresários que foram presos. Eles estavam entre os responsáveis por esse roubo”, disse.
Ainda segundo a polícia, os dois PMs envolvidos estão sendo investigados por suposta omissão. Conforme relato, houve um atraso de cinco minutos no início da perseguição, o que poderia ter comprometido as chances de captura imediata.
A Corregedoria da PM já iniciou procedimento disciplinar e confirmou a prisão preventiva dos militares.
Prisões dos suspeitos
Todos os suspeitos foram identificados 48 horas após o crime. Em Vilhena (RO), parte da quadrilha foi capturada graças à identificação dos veículos usados na fuga, incluindo uma caminhonete e um segundo carro clonado que foi incendiado para destruir provas.

A ação foi considerada articulada e perigosa, mas não se enquadra no chamado “novo cangaço”, segundo a polícia.
O coordenador do CORE (Coordenadoria de Recursos Especiais), delegado Frederico Murta, afirma que o dinheiro roubado pode ter sido ocultado ou dividido para dificultar a localização.
“Normalmente eles ocultam ou dividem a quantia até que a situação se acalme. Ainda há diligências em andamento porque sempre há mais envolvidos nesse tipo de crime”, explicou.
As buscas continuam, e a principal prioridade é recuperar o dinheiro roubado e identificar todos os envolvidos, incluindo possíveis financiadores e cúmplices que ainda estejam foragidos.
O assalto
O crime aconteceu na tarde de quinta-feira (31), em Brasnorte. A quadrilha invadiu uma agência do Sicredi no centro da cidade, rendeu funcionários e clientes, e roubou uma quantia ainda não divulgada em dinheiro. Na fuga, os assaltantes usaram dois reféns como escudos humanos — um foi liberado a 3 km da cidade, e outro a cerca de 10 km. Apesar do terror causado, ninguém ficou ferido.
A ação seguiu o modelo conhecido como “novo cangaço”, caracterizado pelo uso de armamento pesado, tomada de reféns e violência para intimidar as forças policiais. Uma caminhonete utilizada pela quadrilha foi localizada ainda no mesmo dia, a cerca de 12 km do local do crime, em uma estrada rural.
A resposta das autoridades foi imediata. A operação envolveu o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer), Polícia Civil, Força Tática e diversas unidades da Polícia Militar, incluindo o Grupo de Combate ao Crime Organizado (GCCO).