O espancamento de uma aluna, registrado em vídeo na Escola Estadual Carlos Hugueney, em Alto Araguaia (MT), teria sido por um motivo banal: a estudante se recusou a dar um geladinho (doce popular também conhecido como sacolé, dindin, gelinho ou chup-chup) a uma das integrantes de um grupo formado por colegas na escola.
A recusa foi interpretada como uma “quebra de regra” imposta pelas próprias alunas, que criaram um grupo composto por cerca de 20 estudantes. Segundo a Polícia Civil, a estrutura reproduzia o funcionamento de facções criminosas, com normas internas e punições violentas.

Como “punição”, a adolescente foi forçada a se ajoelhar diante da parede da escola, onde foi violentamente espancada pelas colegas, enquanto outras gravavam e riam da cena.
Além da jovem vista no vídeo, outras quatro alunas já foram vítimas das mesmas agressoras por “desobedecerem” regras do grupo. Todas as envolvidas foram identificadas prestaram depoimento à Polícia Civil. Os outros vídeos que mostram as agressões foram localizados e apreendidos nos celulares das adolescentes durante as investigações.
A gravação que circula nas redes sociais desde o fim de semana, mostra a adolescente ajoelhada e levando tapas, socos, chutes e até golpes com um pedaço de pau, enquanto quatro colegas se revezam nos ataques e zombam da vítima.
Caso será enviado ao Ministério Público
A Polícia Civil concluiu a fase inicial das investigações e prepara o encaminhamento do caso ao Ministério Público.
O delegado responsável pelo caso, Marcos Paulo Oliveira, sugere a internação das adolescentes, considerada a sanção mais grave no âmbito do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A direção da escola também pode ser responsabilizada por omissão na segurança dos alunos.
A Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) afirmou que apura o caso com rigor e que está oferecendo apoio psicossocial às vítimas. A pasta garantiu que adotará medidas disciplinares firmes, dentro do que prevê a legislação, para coibir novos episódios de violência.
A comunidade escolar cobra respostas imediatas, reforço na segurança, ações educativas e punições exemplares. A reportagem segue acompanhando os desdobramentos do caso.
Bandidolatria e influência das facções
As investigações preliminares apontam que a cena de violência foi realizada como uma espécie de “tribunal do crime”. Segundo o delegado Marcos Paulo Oliveira, o grupo composto por cerca de 20 estudantes tem regras, uma líder e aplica punições.
“Talvez inspirados por essa bandidolatria que, infelizmente, vem consumindo o nosso país, eles copiaram, de certa forma, o que ocorre dentro das facções criminosas”, afirmou o delegado. Ele também relatou que parte das alunas tem histórico familiar de envolvimento com organizações criminosas e que uma das agressoras já havia sido conduzida à delegacia por estar andando com adultos faccionados.
O delegado enfatizou que a internet tem facilitado o acesso a manuais e estatutos dessas facções, o que também pode ter contribuído para o surgimento do grupo violento entre os adolescentes.
Vídeo de adolescente agredida circula nas redes
As imagens, que circulam nas redes sociais desde o fim de semana, registram o momento em que uma estudante, ajoelhada e com o rosto voltado para a parede, é cercada pelas colegas e agredida com socos, chutes e até um pedaço de pau, enquanto as agressoras riem e filmam a ação.
A primeira agressora desfere tapas no rosto da colega e diz: “conta quantos tapas eu dei”. A segunda se aproxima com mais violência e desferre vários socos na cabeça da vítima.
Na sequência, a terceira pega um pedaço de pau e o utiliza para bater na estudante, que permanece ajoelhada e sem reagir. A quarta agressora puxa os cabelos da vítima, a arrasta pelo chão e continua com os ataques, desferindo chutes, inclusive na região da cabeça, enquanto as outras riem.
Apesar de saberem que estão sendo filmadas, as envolvidas mantêm o tom de deboche e seguem com as agressões.
Diante da repercussão, a Secretaria de Educação Estadual (Seduc-MT) divulgou nota oficial afirmando que já está apurando com rigor o caso e que as equipes gestora e psicossocial da escola e da Diretoria Regional de Educação foram mobilizadas para prestar atendimento à aluna agredida, aos demais envolvidos e às respectivas famílias.
“O caso já foi registrado junto à autoridade policial competente e, paralelamente, a Seduc está tomando as medidas disciplinares cabíveis, conforme as normas do Regimento Escolar e demais legislações vigentes, com providências firmes para que situação como esta não se repita, aplicando punições exemplares dentro do que permite a legislação”, diz o comunicado.
A pasta estadual também reafirmou o compromisso com um ambiente escolar seguro e acolhedor:
“Reafirmamos nosso compromisso com a promoção de um ambiente escolar seguro, respeitoso e acolhedor para todos.”
O caso já foi registrado junto à , que deve apurar as responsabilidades por possível prática de lesão corporal e atos infracionais, conforme o Estatuto da Criança e do (ECA). A direção da escola também pode responder por eventual omissão na segurança dos alunos.
O vídeo, de curta duração, já gerou reações de pais, alunos e representantes da comunidade escolar, que cobram reforço na segurança, ações educativas contra a violência e medidas firmes contra os agressores.
A Seduc promete aplicar punições exemplares dentro dos limites da legislação.
A reportagem seguirá acompanhando os desdobramentos do caso.