A investigação sobre a agressão brutal contra uma estudante de 12 anos dentro de uma escola estadual de Alto Araguaia (MT) ganhou novos desdobramentos após a apreensão dos celulares das quatro alunas envolvidas. Os aparelhos continham vídeos de outras agressões praticadas pelo mesmo grupo, revelando um padrão de violência organizado.
Segundo a Polícia Civil, uma das adolescentes identificadas já havia sido conduzida à delegacia recentemente, quando foi flagrada andando em via pública com maiores de idade ligados a facções criminosas e portando entorpecentes.

O caso veio à tona após a circulação de um vídeo nas redes sociais, no qual a vítima aparece ajoelhada em um canto da sala, sendo agredida com socos, chutes e até golpes com um pedaço de pau. As imagens foram gravadas pelas próprias agressoras e entregues à polícia no início desta semana.
A equipe da Delegacia de Alto Araguaia identificou todas as envolvidas, incluindo uma criança de apenas 11 anos. Ao longo da investigação, cerca de dez pessoas foram ouvidas, entre elas a vítima, seus familiares, a direção da escola e os responsáveis pelas adolescentes agressoras.
As apurações indicam que as alunas formaram um grupo com características semelhantes a uma organização criminosa, no qual criaram regras próprias e atribuíram funções específicas a cada integrante. A estudante agredida teria sido “castigada” por supostamente desobedecer uma das normas impostas. Durante a sessão de espancamento, uma das exigências do grupo era de que a vítima não poderia chorar — caso contrário, as agressões seriam intensificadas.
De acordo com o delegado Marcos Paulo Batista de Oliveira, as próprias adolescentes confessaram não só a agressão filmada, mas também a violência contra outras quatro colegas, todas por suposto descumprimento das regras internas do grupo.
Além das provas diretas, o delegado também realizou o levantamento do histórico familiar das envolvidas, constatando que, em alguns casos, há ligação direta com integrantes de facções criminosas. “Durante as oitivas, foi possível verificar que algumas das menores tentavam reproduzir, no ambiente escolar, comportamentos que presenciavam dentro de casa”, destacou.
Por envolver menores de idade, o inquérito tramita sob sigilo e será encaminhado ao Ministério Público para as medidas socioeducativas cabíveis.