O cabeleireiro Fabrício da Silva Lima, um dos presos pelo assalto à agência do Sicredi em Brasnorte, no noroeste de Mato Grosso, fez denúncias de tortura e ameaças contra policiais durante audiência de custódia realizada no domingo (3). Ao lado do também suspeito Valdemar do Nascimento Alves, empresário local, Fabrício afirmou ter sido torturado por agentes do Grupo de Combate ao Crime Organizado (GCCO), da Polícia Civil, durante a prisão dele.
“Chegaram com fuzil, meteram a arma, jogou todo mundo no chão. Aí já foi me algemando”, contou, durante o depoimento. Segundo o ele, os policiais teriam se apresentado como membros do GCCO. Fabrício afirma lembrar apenas do nome de um agente, supostamente chamado de “Steve”. Veja relato abaixo:
Durante a audiência, ele descreveu que os policiais teriam o impedido de entrar em contato com o advogado, invadido a casa dele, onde, segundo o suspeito, começaram as agressões, na frente do filho dele, de 11 anos.
Ainda segundo Fabrício, os agentes o conduziram a outro imóvel, uma chácara pertencente ao empresário Valdemar, onde teriam ocorrido os episódios de tortura física e psicológica.
Procurada, a Polícia Civil confirma ter recebido do Poder Judiciário a comunicação das denúncias nessa segunda-feira (4) e que a Corregedoria-geral da instituição irá instaurar procedimento para investigar os fatos.
Ameaças à família
Durante o depoimento, o suspeito disse que foi pressionado a contar onde estava o dinheiro do assalto, assim como apontar outros supostos envolvidos.
“Um pegou e falou: ‘Ou você fala onde tá o dinheiro ou a gente vai partir pra sua família’. Eu falei: ‘Se quiser me matar, pode matar, mas com meu filho não’. Eu não sei o que tá acontecendo.”
Ele disse ter sido ameaçado de morte, caso não confessasse o crime. Veja:
Valdemar também disse ter sido pisoteado pelos policiais.
Relembre o caso
O crime aconteceu no dia 31 de julho, no centro de Brasnorte. Criminosos fortemente armados invadiram uma agência do Sicredi, fizeram reféns e fugiram com uma quantia não revelada. Na fuga, usaram dois reféns como escudos humanos, ambos foram libertados sem ferimentos.
A ação mobilizou uma força-tarefa com apoio aéreo e envolveu agentes do Bope, Ciopaer, Polícia Civil, Força Tática e Polícia Militar. A operação foi descrita como bem articulada, mas não se enquadra no modelo do “novo cangaço”, segundo os investigadores.
Polícia confirma planejamento e envolvimento de empresários
Em coletiva nessa segunda-feira (4), a Polícia Civil confirmou que o crime foi planejado por cerca de 20 dias, com reuniões entre os envolvidos, inclusive empresários locais e dois policiais militares.
“Existe prova e informações de que o planejamento iniciou há 20 dias, com reuniões feitas por empresários que foram presos. Eles estavam entre os responsáveis por esse roubo”, afirmou o delegado Gustavo Belão, do GCCO.
Até agora, 14 pessoas foram presas, e o dinheiro roubado ainda não foi recuperado. Os dois PMs estão sendo investigados por possível omissão, já que teriam atrasado a perseguição em 5 minutos, comprometendo a resposta inicial.
“Sempre há outras pessoas envolvidas em crimes dessa natureza. A prioridade agora é recuperar o dinheiro e identificar todos os cúmplices”, acrescentou o delegado Frederico Murta, do CORE.
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