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“É incompreensível a atitude do governo americano. E não é só com o Brasil, diga-se de passagem. Há interferência em vários países, tentando impor uma nova fórmula de comercialização. O mundo não precisa de um imperador, não precisa de um tirano para dizer como as coisas vão acontecer”, afirmou Fávaro nesta quarta-feira (6).
Ele ressaltou que a retaliação tarifária não atinge apenas o governo federal, mas a economia nacional. “Ora, e quem tinha como lema defender a pátria, qual pátria está sendo defendida? Qual a consciência de quem faz isso contra os brasileiros? Não é contra o presidente Lula, nem contra o ministro da Agricultura. É contra o povo”, disse.
A nova taxação, que atinge principalmente o setor madeireiro e a carne bovina mato-grossense, foi justificada por Trump como reação à suposta perseguição política ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Parte da direita brasileira, incluindo parlamentares bolsonaristas, tem celebrado o tarifaço como forma de pressionar pelo impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
Fávaro destacou que o Brasil abriu 398 novos mercados para a agropecuária desde o início do governo Lula, resultado direto de uma estratégia baseada em diplomacia e diálogo. “Quase 80% do que seria tarifado já teve solução diplomática. Vamos superar também o desafio das carnes, do mel, do pescado”, afirmou, apostando que ainda há espaço para acordos que mitiguem os prejuízos.
A ofensiva comercial americana já tem impacto direto sobre Mato Grosso. Conforme mostrou o Olhar Direto, 500 contêineres de madeira produzida no estado estão retidos nos portos, com potencial de causar um prejuízo de até R$ 45 milhões ao setor.
Em declarações anteriores, o presidente do Cipem, Ednei Blasius, afirmou que o tarifaço serve de lição para que o Brasil diversifique seus destinos de exportação e reduza a dependência dos Estados Unidos. O secretário de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso, César Miranda, também defendeu a aposta em novos mercados para a carne bovina, como União Europeia, Japão e Coreia do Sul,agora acessíveis após o status de livre de febre aftosa sem vacinação.

Fávaro chama Trump de imperador tirano e critica brasileiros que apoiam tarifaço
No dia em que entrou em vigor a sobretaxa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro (PSD), classificou o presidente americano Donald Trump como “tirano” e criticou brasileiros que apoiam a medida sob a justificativa de atacar o governo Lula (PT).
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