Promotor diz em júri que pedreiro traçou ‘plano diabólico’ para matar mãe e filhas

O promotor de Justiça Luiz Fernando Rossi Pipino afirmou, durante o julgamento de Gilberto Rodrigues dos Anjos, que o pedreiro premeditou o crime cometido contra Cleci Calvi Cardoso, de 45 anos, e as filhas dela, em novembro de 2023, no município de Sorriso, na região norte de Mato Grosso. Ele classificou a ação como um “plano diabólico”.

Gilberto Rodrigues, confessou ter matado as vítimas (Foto: Divulgação)
O pedreiro Gilberto Rodrigues confessou ter matado as vítimas em Sorriso (Foto: Divulgação)

O réu está sendo julgado nesta quinta-feira (7), no Fórum de Sorriso, e o júri deve ser encerrado ainda nesta data. Ele é acusado de crimes de estupro, estupro de vulnerável e feminicídio. Gilberto Rodrigues participa da sessão por videoconferência enquanto está preso na Penitenciária Central do Estado (PCE) onde está preso.

Para a execução do que tratou como plano diabólico, o promotor Luiz Fernando disse que Gilberto observou as vítimas e planejou o crime com paciência.

“O réu monitorou a rotina da família (mulheres, horários, etc), estudou a residência (rota de entrada, desvio dos cães bravos, etc) e executou o plano diabólico com frieza e precisão”, disse.

chacina de sorriso julgamento

O magistrado ainda reforçou essa tese e disse que Gilberto Rodrigues esperou até mesmo as luzes da casa se apagarem para cometer os crimes “com requintes de perversidade e crueldade”.

Gilberto teria caminhado sobre o muro até chegar na janela do lavabo, por onde entrou. Os cães ainda teriam tentado o alcançar no muro. A primeira marca do chinelo do réu teria ficado marcado na tampa do vaso sanitário, onde ele pisou quando pulou da janela.

À época do crime, o delegado de Sorriso Bruno França disse que Gilberto confessou que ficou na casa bastante tempo depois que matou as quatro vítimas.

Gilberto Rodrigues dos Anjos, de 32 anos, ainda não passou por audiência de instrução após ter matado a mãe e 3 filhas em Sorriso. (foto: Reprodução)
Gilberto Rodrigues dos Anjos foi preso (foto: Reprodução)

“Na casa havia cães de grande porte, bravos, cerca elétrica, e mesmo com toda segurança, o intento criminoso dele era tamanho que ele conseguiu superar tudo isso. A cena dentro da casa era chocante e não deixava dúvidas de que era um crime com intenção sexual, cometido por alguém que não conhecia as vítimas”, afirmou.

Cleci Calvi Cardoso, de 45 anos, e suas filhas , 19 anos, Manuela Calvi Cardoso, 13 anos e Melissa Calvi Cardoso, de 10 anos, foram mortas, em Sorriso, em 2023
Cleci Calvi Cardoso, de 45 anos, e suas filhas , 19 anos, Manuela Calvi Cardoso, 13 anos e Melissa Calvi Cardoso, de 10 anos, foram mortas, em Sorriso, em 2023

Relembre o caso

Gilberto trabalhava como pedreiro em uma obra ao lado da casa das vítimas.

Cleci e as filhas dela, Miliane Calvi Cardoso, de 19 anos, Manuela Calvi Cardoso, 13 anos e Melissa Calvi Cardoso, de 10 anos, foram encontradas no dia 27 de novembro de 2023, após familiares chamarem a polícia, já que não viam a família há alguns dias.

Gilberto Rodrigues dos Anjos, de 32 anos, ainda não passou por audiência de instrução após ter matado a mãe e 3 filhas em Sorriso. (foto: Reprodução)
Gilberto Rodrigues dos Anjos, de 32 anos, está preso aguardando julgamento. (foto: Reprodução)

As três possuíam  e sinais de abuso sexual. A criança menor, de 10 anos, morreu asfixiada, de acordo com a Polícia Civil.

Melissa e Manuela estavam no quarto, enquanto a mãe e a filha mais velha estavam no corredor da casa, localizada no bairro Florais da Mata.

Ficha criminal

A ficha criminal de Gilberto começa no ano de 2013 quando foi condenado em Mineiros-Go, a 425 km da capital Goiânia.

O crime aconteceu a noite do dia 21 de dezembro de 2012. Segundo o inquérito policial, Gilberto teria saído com Osni no carro, quando Osni teria manifestado interesse em se relacionar com ele. De acordo com o depoimento do acusado, a proposta sexual teria sido o motivo do crime.

Após isso, Gilberto pegou a própria camiseta e enforcou o jornalista que já se encontrava inconsciente por ter sofrido agressões. Gilberto abandonou o corpo em uma rodovia local e fugiu com o carro da vítima indo se esconder na chácara de um amigo. Mas acabou sendo preso.

Por esse crime, Gilberto ficou preso por cerca de 7 meses. O advogado dele pediu a revogação da prisão, alegando que algumas diligências não haviam sido cumpridas pela polícia, e ele foi liberado pela Justiça.

Depois, o Ministério Público ofereceu denúncia e a Justiça acolheu, no entanto, Gilberto ainda não passou por julgamento. O novo mandado de prisão foi expedido em 24 de janeiro de 2018.

A perícia médica realizada no corpo do jornalista Osni Mendes mostrou que ele teria sido vítima de espancamento, apresentando traumatismo crânio encefálico e sinais de estrangulamento.

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