Garimpo em terra indígena destrói área equivalente a 540 campos de futebol em MT

A vegetação da Terra Indígena Sararé, localizada entre os municípios de Conquista d’Oeste e Pontes de Lacerda (MT), na fronteira com a Bolívia, está sendo devastada por crateras causadas pela extração ilegal de ouro.

A região, habitada pelo povo Nambikwara, é atualmente a área indígena com maior número de alertas de garimpo no Brasil, segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Vegetação da Terra Indígena Sararé, localizada entre os municípios de Conquista do Oeste e Pontes de Lacerda (MT). (Foto: TVCA)
Vegetação da Terra Indígena Sararé, localizada entre os municípios de Conquista do Oeste e Pontes de Lacerda (MT). (Foto: imagens cedidas/ IBAMA)

Somente este ano, foram detectadas mais de 1,8 mil ocorrências de garimpo ilegal na região. O fato, inclusive, levou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a montar uma força-tarefa conjunta com a Força Nacional e outras instituições para combater a mineração ilegal na área.

Operação Xapiri-Sararé: força-tarefa em ação desde agosto

Desde 1º de agosto, cerca de 100 agentes federais atuam na região com o objetivo de combater o garimpo ilegal. A operação já resultou na destruição de 73 escavadeiras, além de 8 caminhonetes, 10 caminhões e 148 acampamentos usados pelos garimpeiros.

Em propriedades rurais próximas que serviam como apoio logístico, foram encontrados depósitos clandestinos de combustível, maquinário em manutenção e apreendidos 10 quilos de mercúrio.

O chefe de fiscalização do Ibama, Hugo Loss, explica os desafios enfrentados:
“O maior desafio nesse tipo de operação é que, para evitar a fiscalização, os garimpeiros escondem os equipamentos no meio da mata, obrigando as equipes a enfrentar longas caminhadas para localizar e apreender o maquinário”, afirma.

Eliane Xunakalo, presidente da Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (FEPOIMT), em entrevista à repórter Eunice Ramos, reforça o drama vivido pelas comunidades locais.

“O impacto é devastador. Destrói tudo: nosso território, a nossa cultura, nossa vida, além de destruir o solo, a floresta, o rio.”

Ela destaca a necessidade urgente de retirar os invasores e garimpeiros da região, para que os povos indígenas daquele território vivam em paz. A líder indígena ainda compara a situação da Sararé à histórica Serra Pelada, alertando para a gravidade do problema.

“Precisamos do Estado presente permanentemente, porque temos denúncias de violência, estupro e da impossibilidade de ter uma vida em paz. Eu vejo que a Sararé é a nossa nova Serra Pelada. Precisamos de uma medida que acabe com isso”, destaca.

Desmatamento em área equivalente a 540 campos de futebol

O desmatamento na TI Sararé já atingiu quase 750 hectares, uma área equivalente a cerca de 540 campos de futebol, causando graves danos ao ecossistema local e à qualidade de vida dos indígenas Nambikwara.

Jair Schmitt, diretor de Proteção Ambiental do Ibama, alerta sobre os efeitos nocivos da atividade.

“A exploração ilegal do ouro traz consequências severas, como a contaminação do solo e da água por mercúrio, o revolvimento da terra e a formação de grandes crateras. Além disso, há impactos diretos na saúde e segurança das comunidades indígenas, que enfrentam doenças e violência decorrentes dessa atividade”, destaca.

A operação conta com apoio de diversos órgãos, incluindo a Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, FUNAI e Polícia Militar. Além das ações diurnas, que incluem patrulhas aéreas para identificar equipamentos e maquinários, as equipes também realizam patrulhas noturnas para evitar o retorno dos garimpeiros ao território.

O Ibama reforça que a fiscalização será mantida de forma contínua, sem prazo definido para o encerramento das ações, até que haja uma redução significativa nos alertas de garimpo e a recuperação da área seja possível.

Serra Pelada

Serra Pelada foi um famoso garimpo de ouro localizado na Serra dos Carajás, no sudeste do Pará, conhecido por sua intensa atividade entre as décadas de 1980 e 1990.

O local ser tornou o maior garimpo a céu aberto já registrado na história. Na época, milhares de garimpeiros buscaram enriquecimento rápido através da extração de ouro no local.

O local atraiu milhares de pessoas em busca de riqueza, que resultou em uma grande transformação na paisagem e condições de trabalho precárias.

A exploração deixou um legado ambiental significativo, como a contaminação do lago por mercúrio.

Leia mais

  1. Garimpeiro morre após ataque a servidores do Ibama e policiais na Sararé

  2. Venezuelano é resgatado após sequestro na saída de garimpo em Aripuanã

  3. Garimpo ilegal é fechado em área com cadastro ambiental em Matupá

FALE COM O PP

Para falar com a redação do Primeira Página em Mato Grosso, clique aqui. Curta o nosso Facebook e siga a gente no Instagram.

Fonte


Publicado

em

por

Tags: