MT figura entre estados com mais casos de violência sexual infantil na Amazônia Legal

Um levantamento divulgado nesta quarta-feira (13) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revelou que a Amazônia Legal concentra seis dos 10 estados brasileiros com maiores taxas de violência sexual contra crianças e adolescentes.

Mato Grosso figura entre eles, junto de Rondônia, Roraima, Pará, Tocantins e Acre.

abuso sexual infantil
A cada hora, 3 crianças são vítimas de abuso no Brasil. (Foto: Ilustrativa/Reprodução)

De acordo com o estudo, entre 2021 e 2023, mais de 38 mil casos de estupro contra vítimas de até 19 anos foram registrados nos nove estados que compõem a Amazônia Legal.

Leia mais: PF dá dicas para blindar crianças e adolescentes de abusos nas redes sociais

Os números consideram ocorrências notificadas às autoridades e não incluem casos que permanecem sem denúncia o que significa que a realidade pode ser ainda mais grave.

Estados com as maiores taxas de estupros de crianças e adolescentes

barra proporcional à taxa (por 100 mil)

Recorte comparativo por unidade da federação
Estado Taxa
Mato Grosso do Sul (MS) 275,1
Rondônia (RO) 234,2
Roraima (RR) 228,7
Paraná (PR) 208,2
Santa Catarina (SC) 192,9
Mato Grosso (MT) 188,0
Pará (PA) 174,8
Tocantins (TO) 174,2
Acre (AC) 163,7
Goiás (GO) 149,9

Fonte: Unicef e Fórum Brasileiro de Segurança Pública

Rondônia lidera o ranking regional

Rondônia apresenta a maior taxa da região, com 234,2 registros para cada 100 mil crianças e adolescentes. Apesar disso, o estado com a maior taxa proporcional do Brasil é Mato Grosso do Sul, que não faz parte da Amazônia Legal.

Em Mato Grosso, os números colocam o estado em uma posição preocupante no cenário nacional. O Estado está em sexto lugar no ranking com taxa de 188,0 casos para a cada 100 mil habitantes.

Ainda que o estudo não divulgue a taxa exata por estado para todas as posições, a inclusão de Mato Grosso no grupo com os maiores índices indica um cenário de vulnerabilidade que exige atenção de autoridades, sociedade civil e famílias.

Leia mais: Adultização: quando a infância é negociada em nome do engajamento

Perfil das vítimas

O levantamento também mostra um recorte racial significativo: a maioria das vítimas é preta ou parda. Essa informação revela como a violência sexual contra crianças e adolescentes está diretamente associada a desigualdades sociais e raciais, atingindo com mais intensidade comunidades historicamente vulneráveis.

Amazônia Legal no contexto nacional

A Amazônia Legal, que abrange nove estados brasileiros entre eles Mato Grosso, reúne regiões de difícil acesso, áreas rurais e comunidades isoladas. Essas características tornam a denúncia e a investigação mais complexas, contribuindo para a subnotificação e dificultando a punição dos agressores.

Em Mato Grosso, o desafio é ainda maior devido à extensão territorial e às particularidades da população rural e indígena. Organizações de defesa dos direitos da criança e do adolescente reforçam que a prevenção deve começar dentro de casa, com informação, diálogo e educação sexual adequada às faixas etárias, para que crianças e adolescentes reconheçam situações de risco e busquem ajuda.

O que é a Amazônia Legal?

A Amazônia Legal é uma região administrativa criada pelo governo brasileiro em 1953, que abrange nove estados da Região Norte e parte do Centro-Oeste e Nordeste: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Mato Grosso e Maranhão.

O objetivo é planejar e executar políticas públicas integradas, promovendo o desenvolvimento econômico, social e ambiental da região, que inclui a maior parte da floresta amazônica do país.

É usada como referência em programas de preservação ambiental, projetos de infraestrutura e incentivos fiscais.

Leia mais

  1. Enfermeira é presa suspeita de abusar de crianças a mando de médico em Canarana

  2. Investigado por pornografia infantil pode ter produzido conteúdo, diz PF

FALE COM O PP

Para falar com a redação do Primeira Página em Mato Grosso, clique aqui. Curta o nosso Facebook e siga a gente no Instagram.

Fonte


Publicado

em

por

Tags: