O superintendente de Tecnologia da Informação da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Vinicius Curvo Nunes, foi um dos alvos da Operação Datar, deflagrada nesta quinta-feira (14) pela Polícia Civil para desarticular um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado R$ 185 milhões provenientes do tráfico de drogas.

Segundo dados do Portal da Transparência, Vinicius ocupa o cargo comissionado desde 3 de fevereiro de 2025, com salário bruto de R$ 16.389,65. Lotado na Secretaria de Tecnologia da Informação, ele atua em regime de 40 horas semanais.
De acordo com a Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc), o servidor mantinha movimentações financeiras com integrantes do núcleo central da organização criminosa. Embora não haja, até o momento, imputação direta por outros crimes, o delegado responsável afirmou que os elementos apreendidos serão analisados e podem levar a novos desdobramentos.

Em nota, a Assembleia Legislativa informou que adotará as medidas administrativas necessárias para a imediata exoneração de Vinicius, reforçando compromisso com a transparência e a ética.

A operação teve como principal alvo o DJ Diego de Lima Datto, apontado como líder do grupo e preso em São Paulo. Ele já havia sido detido em 2019, acusado de vender drogas sintéticas em festas e realizar entregas a domicílio em Cuiabá. Desde então, segundo as investigações, continuou atuando na rede criminosa, expandindo as atividades para o núcleo financeiro e utilizando empresas de fachada para “esquentar” recursos ilícitos.
Durante as ações desta quinta-feira, a polícia apreendeu pelo menos sete armas de fogo, mais de R$ 60 mil em dinheiro vivo, oito veículos — quatro deles de luxo — e outros bens, além de cumprir bloqueios judiciais em contas bancárias dos investigados. O objetivo é descapitalizar a organização, impedindo a continuidade das operações.
A ofensiva contou com mais de 70 policiais civis, com apoio da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), da Delegacia de Combate à Corrupção (Deccor) e das Polícias Civis de Mato Grosso do Sul e São Paulo. Um dos sete mandados de prisão preventiva não foi cumprido, e o alvo segue foragido, apontado como responsável por operacionalizar o fluxo financeiro do grupo.

De acordo com o delegado Eduardo, que coordenou a parte operacional em Cuiabá, a investigação mapeou transações bancárias incompatíveis com a renda declarada dos suspeitos, chegando a identificar casos de pessoas que informavam ganhos anuais de R$ 90 mil, mas movimentavam R$ 7 milhões no período. As movimentações ocorreram entre 2019 e 2025 e somaram R$ 186 milhões.
O nome “Datar” vem do espanhol “fechar” e simboliza a conclusão de um ciclo investigativo iniciado em 2019, que já havia resultado em prisões por tráfico de drogas e associação para o tráfico. Agora, o foco foi no rastreamento e bloqueio do dinheiro, considerado pelos investigadores como a principal forma de enfraquecer a estrutura criminosa.
Em nota, a Assembleia informou que adotará as medidas administrativas necessárias para a imediata exoneração do servidor, reafirmando compromisso com a transparência e a ética.
O Primeira Página tenta localizar a defesa do servidor.