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Para Gallo, o conjunto de medidas, que destina R$ 30 bilhões a ações emergenciais, pode ter “certo exagero” e deveria ter sido calibrado com uma análise mais detalhada do impacto em cada setor econômico.
“Talvez possa ter havido aí um certo exagero em relação ao alcance, porque tem que estudar cada setor atingido. Eu espero que isso não se torne uma nova bomba fiscal, porque, de novo, os R$ 30 bilhões ficarão de fora do teto do arcabouço fiscal. Consequentemente, isso vai gerar mais endividamento público, taxa de juros maiores, inflação, tudo aquilo que o país não precisa nesse momento”, afirmou.
O secretário citou o exemplo da JBS, cujo presidente executivo declarou recentemente que, passados quase 30 dias do anúncio das tarifas, ainda não houve impacto relevante nas exportações de carne da empresa. Para ele, casos como esse mostram a necessidade de diferenciar o nível de vulnerabilidade entre setores.
“Tem que tomar muito cuidado para que isso não vire, eventualmente, uma mamata para alguns setores que, efetivamente, não vão precisar de socorro, porque os números vão demonstrar que eles têm condição de redirecionar as suas vendas para outros mercados”, alertou.
Gallo também ressaltou que, em um mercado globalizado, produtos como a carne podem encontrar novos compradores, ao contrário de setores mais sensíveis, como o de frutas, que sofre com a alta perecibilidade.
“No caso das frutas, me parece super adequado o socorro. Mas precisamos ter foco para que os recursos cheguem a quem realmente precisa”, completou.
Anunciado na quarta-feira (13), o Plano Brasil Soberano prevê medidas distribuídas em três eixos, fortalecimento do setor produtivo, proteção aos trabalhadores e diplomacia comercial, com foco em preservar empregos, incentivar investimentos e ampliar a competitividade das exportações. Entre as ações, estão linhas de crédito com juros mais baixos, prorrogação da suspensão de tributos para empresas exportadoras, aumento do percentual de restituição de tributos via Reintegra e facilitação na compra de alimentos por órgãos públicos.

Gallo vê exagero em ajuda de Lula a empresários afetados por ‘tarifaço’ e alerta para risco de virar mamata: ‘bomba fiscal’
O secretário de Fazenda, Rogério Gallo, avaliou com cautela o Plano Brasil Soberano, lançado nesta semana pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para mitigar os efeitos do aumento de até 50% nas tarifas de importação sobre produtos brasileiros, imposto pelo governo norte-americano de Donald Trump.
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