Durante o cumprimento de mandados de buscas e apreensão da Operação Contraprova, deflagrada nesta sexta-feira (15), pela Polícia Civil, diversas anotações com nomes de vereadores da Câmara de Cuiabá foram encontradas. Os documentos estavam na sede do Laboratório Bioseg. As informações foram passadas durante entrevista coletiva, pelo delegado Rogério Ferreira.
Ele disse ainda que, além dos nomes dos parlamentares, as anotações contém detalhes sobre fundos de R$ 100 milhões e contratos com a Prefeitura de Cuiabá, que somam R$ 2 milhões. Veja:
Segundo o delegado Rogério Ferreira, não há comprovação de que os parlamentares citados nas anotações tenham envolvimento com o esquema. Para ele, não há anormalidade na presença dos nomes, visto que a empresa investigada prestava serviço para Câmara do município.
Prisões e apreensões da operação
11 ordens judiciais foram cumpridas em Cuiabá, Sorriso e Sinop, municípios do norte do estado. O biomédico Igor Phelipe Gardes Ferraz, sócio da rede de laboratórios, foi preso preventivamente. Ele é suspeito de forjar resultados de exames médicos que atendiam tanto pacientes particulares quanto órgãos públicos, incluindo o Sistema Único de Saúde (SUS).
Igor estava nomeado no gabinete do vereador Gustavo Padilha (PSB). O parlamentar disse que foi pego de surpresa com a investigação. O investigado trabalhava com serviços comunitários e foi exonerado.

Além dele, os sócios da empresa, Willian de Lima e Bruno Cordeiro Rabelo, também estão sendo investigados. Eles foram alvos de busca e apreensão e são suspeitos de fraudes e falsificações de exames laboratoriais.
“Os fatos são graves. Existe o temor de que essa conduta possa ter prejudicado a saúde e a vida de diversas pessoas, principalmente pacientes do SUS. Eles prestavam serviços para prefeituras, câmaras de vereadores e também para convênios particulares que atendem pacientes acamados em regime de home care”, afirmou o delegado.
Na residência de Igor, os policiais também apreenderam armas, moedas estrangeiras e documentos diversos. Os outros dois sócios da rede estão proibidos de exercer atividades até o fim das investigações.
Contratos públicos e impacto na saúde
A rede possuía um contrato de cerca de R$ 2 milhões com a Prefeitura de Cuiabá para atender pacientes do SUS. O contrato foi encerrado em maio, segundo o município, e não houve renovação.
As suspeitas surgiram em abril, após denúncia à Vigilância Sanitária. A apuração indica que amostras coletadas eram descartadas sem análise, e os laudos entregues aos pacientes eram fraudados.
Entre os exames adulterados está o caso de uma menina de cinco anos que morreu no ano passado, possivelmente prejudicada por resultado falso.
A Polícia Civil segue analisando as provas e não descarta ampliar o alcance da investigação para apurar se houve favorecimento ou irregularidades envolvendo agentes públicos.
