Mesmo sem consenso, relator de novo Código Eleitoral quer votar texto na CCJ

O senador Marcelo Castro (MDB-PI), relator do Projeto de Lei Complementar (PLP) 12/2021, pretende levar o texto do novo Código Eleitoral à votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na próxima quarta-feira (20). A expectativa do parlamentar é que a proposta avance no Congresso ainda em setembro, garantindo tempo hábil para que entre em vigor antes de 3 de outubro, prazo limite para valer já nas eleições de 2026.

Projeto de lei para criação de cadastro de estupradores foi aprovado pelo Senado. (Foto: Jonas Pereira, Agência Senado)
Novo Código Eleitoral deve ir à votação na CCJ na próxima semana, mas enfrenta impasses sobre temas centrais. (Foto: Agência Senado)

O texto, que reúne quase 900 artigos ao consolidar sete leis e jurisprudências relacionadas à legislação eleitoral e partidária, já passou por sete versões e recebeu cerca de 400 emendas. A complexidade do projeto e a falta de consenso entre senadores têm travado a votação na CCJ, onde o último debate, em julho, terminou sem acordo.

Design sem nome 2025 08 16T063328.122
Relator do novo Código Eleitoral, Marcelo Castro tentará colocar o texto em votação nesta quarta (20). (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

Quarentena divide opiniões

Entre os pontos mais polêmicos está a chamada quarentena para integrantes de carreiras de Estado — como juízes, promotores, policiais e militares — que queiram disputar eleições. A proposta inicial previa afastamento de quatro anos, reduzido para dois após negociações. Ainda assim, parte dos senadores rejeita a medida.

“Estão obrigando um cidadão a abrir mão do sustento por dois anos para poder participar de um pleito. Isso não é razoável”, argumentou o senador Fabiano Contarato (PT-ES).

Outros parlamentares, como Alessandro Vieira (MDB-SE), Sergio Moro (União-PR) e Hamilton Mourão (Republicanos-RS), também já se manifestaram contra a quarentena. Marcelo Castro, porém, mantém a defesa da regra, alegando incompatibilidade entre essas carreiras e a política partidária.

Representação feminina

A participação das mulheres também é alvo de controvérsia. O relatório preserva a exigência de 30% de candidatas nas chapas, a chamada cota de gênero, mas elimina a punição aos partidos que não atingirem o índice, desde que as vagas não sejam ocupadas por homens. A modificação desagradou parte da bancada feminina, que vê retrocesso no debate.

“Somos mais de 50% da população. Não vamos abrir mão de candidaturas, recursos e cadeiras. Avançar em vagas reservadas no Legislativo é importante, mas não à custa de reduzir candidaturas”, disse a senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO).

Fake news e liberdade de expressão

Outro eixo de conflito está nas regras para combater a desinformação. O relatório autoriza propaganda negativa entre candidatos, mas proíbe conteúdos caluniosos, difamatórios, injuriosos, de ódio, violentos ou sabidamente falsos. Para senadores como Rogério Marinho (PL-RN) e Jorge Seif (PL-SC), os dispositivos podem abrir brecha para cercear críticas e ferir a liberdade de expressão.

Urnas e voto impresso

Parte da comissão também defende a adoção do voto impresso como forma de ampliar a confiança no processo eleitoral. Nomes como Esperidião Amin (PP-SC) e Eduardo Girão (Novo-CE) alegam que, apesar da confiabilidade das urnas eletrônicas, a impressão do comprovante garantiria maior transparência. “Um software não precisa apenas ser seguro, mas também parecer seguro para o cidadão comum”, disse Amin.

Próximos passos

Se aprovado na CCJ, o novo Código Eleitoral ainda precisará passar pelo plenário do Senado e retornar à Câmara dos Deputados antes de seguir para sanção presidencial. O relator corre contra o tempo para que o texto seja promulgado até 3 de outubro, prazo legal para que entre em vigor já nas próximas eleições gerais.

Leia mais

  1. Senado avalia projetos de exploração econômica em terras indígenas

  2. Miami com verba pública, bandeira pró-Trump… Senador de MT fala sobre polêmicas

  3. Wellington Fagundes se reveza na ocupação do plenário do Senado

Fonte


Publicado

em

por

Tags: