Buzetti revela bastidores de julgamento de chacina que motivou lei do cadastro de estupradores: “lágrimas caem, não tem jeito”

A senadora Margareth Buzetti (PSD) relatou a emoção e o impacto de acompanhar o julgamento do homem condenado a 225 anos de prisão pela chacina de Sorriso (MT), crime que motivou a criação da lei do Cadastro Nacional de Pedófilos e Estupradores, de sua autoria. Ela esteve ao lado da mãe e avó das quatro vítimas durante o júri e disse que, apesar de tentar se manter firme, não conseguiu conter o choro diante das cenas apresentadas.

“Eu não queria chorar, porque eu estava do lado da mãe, segurando a mãozinha dela, né? Mas teve uma hora que não deu, não dá pra segurar. E daí as lágrimas caem e não tem jeito. Quando o promotor terminou a acusação que ele fala, a representação dele lá. Nossa! E aí ele colocou o vídeo da cena [do crime] que ficou, e de como elas eram antes do crime”, afirmou ao Olhar Direto, nesta terça-feira (12).
O crime ocorreu em setembro de 2020, quando uma mulher e suas três filhas foram estupradas e assassinadas no município de Sorriso. Segundo a acusação, o réu agiu com extrema crueldade, desferindo golpes de faca, cortando o pescoço das vítimas e provocando hemorragias fatais. As investigações apontaram que ele manteve as vítimas em sofrimento antes de matá-las e praticou abusos sexuais contra todas elas.
Buzetti disse que o momento mais marcante foi quando começaram a ser exibidas as imagens do crime e vídeos das vítimas antes da tragédia. Antes das cenas mais fortes, ela perguntou à avó se queria sair da sala. A resposta foi negativa.
“Ela disse que não a deixaram ver as filhas no caixão e que queria vê-las agora. Foi algo muito pesado, que eu nunca tinha visto. Quando ele corta o pescoço, corta as artérias, e o sangue sai todo. Era surreal a cena”, relatou.
Segundo a senadora, o peso emocional foi tão grande que ela precisou de dois dias para se recuperar. “Parecia que eu tinha apanhado, sabe? Mas me mantive firme ali do lado da vozinha, pra dar o apoio a ela. […] Mas foi algo, assim, que me impactou demais pela violência empregada, pela crueldade empregada. Algo que, eu juro pra você, eu nunca tinha visto”, disse.
Além de reviver o horror do crime, Buzetti afirmou que a condenação foi um marco de justiça para a família e para a sociedade. Para ela, a pena representa a “justiça possível” no atual sistema penal, mas defendeu mudanças mais duras. “Ele não vai sair antes de quarenta anos, mas teria que ser prisão perpétua, no mínimo. Pena de morte eu tenho dúvida, […] mas prisão perpétua nós já passamos da hora de ter”, declarou.
O crime foi o estopim para que Buzetti apresentasse o projeto que deu origem à lei que criou o cadastro. Sancionada há nove meses, a norma ainda não foi implementada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que recentemente formou um grupo de trabalho para viabilizar sua aplicação. A ferramenta reunirá dados de condenados por crimes sexuais em todo o país, com acesso restrito a autoridades, e deverá auxiliar investigações e monitoramento de reincidência.
Buzetti tem cobrado celeridade para que o sistema esteja em funcionamento até outubro deste ano, quando completará um ano de sanção. “O CNJ fez um grupo de trabalho, já fizeram três, quatro reuniões. Eu digo, mas não tem reunião pra fazer. Tem que botar, pronto”, afirmou.

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