MP cobra explicações de hidrelétrica de Colíder por rebaixamento do nível da água

O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) deu cinco dias para que a Eletrobras entregue relatórios técnicos e ambientais sobre a Usina Hidrelétrica de Colíder, que está em nível de alerta após danos em drenos da barragem no Rio Teles Pires.

Nessa segunda-feira (18), promotores se reuniram com diretores da empresa, que confirmaram os danos e justificaram o rebaixamento do nível de água como medida preventiva.

Barragem da Usina Hidrelétrica de Colíder, no Rio Teles Pires (MT). (Foto: Reprodução)
Barragem da Usina Hidrelétrica de Colíder, no Rio Teles Pires (MT). (Foto: Reprodução)

As promotorias de Justiça de Colíder, Nova Canaã do Norte, Cláudia e Itaúba exigem documentos que detalhem os problemas na barragem, além de cópias do Plano de Ação Emergencial (PAE), do Plano de Segurança e todos os relatórios ambientais feitos nos últimos cinco anos.

A Eletrobras também terá que enviar relatórios diários com o monitoramento da barragem e do reservatório, acompanhados de pareceres de especialistas independente

O MP pediu ainda que uma equipe técnica faça vistoria presencial na usina para avaliar de perto os riscos à população e ao meio ambiente. O caso é acompanhado pelos promotores Graziella Salina Ferrari, Álvaro Padilha de Oliveira, Edinaldo dos Santos Coelho e Márcio Schimiti Chueire.

Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e Agência Nacional de Águas (ANA) terão dez dias para informar se já realizaram fiscalizações e quais medidas tomaram. Já a Defesa Civil deve apresentar um mapa das comunidades em risco, e a Secretaria de Meio Ambiente (Sema) precisa relatar os impactos constatados e ações de mitigação.

Resgate de peixes

Enquanto isso, mais de 100 pessoas participam de uma operação de resgate de peixes no Rio Teles Pires para evitar mortandade causada pelo rebaixamento do reservatório. A retirada dos peixes foi determinada após a barragem entrar em nível de alerta, um dos estágios mais graves de risco, devido à queda no volume de água.

Situação de um lado do rio, após o rebaixamento da água. (Foto: Douglas Aziliero)
Situação de um lado do rio de Itaúba, após o rebaixamento da água. (Foto: Douglas Aziliero)

Na política, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso aprovou, nesta terça-feira (19), a criação de uma comissão para acompanhar o caso da hidrelétrica. O deputado Diego Guimarães (Republicanos), autor da proposta, disse que a situação é “trágica” e alertou para risco de rompimento.

Além da preocupação com o meio ambiente, os parlamentares afirmaram que o rebaixamento já trouxe prejuízos para pousadas, hotéis, pesqueiros e comércio da região. Em Paranaíta, o Fest Praia chegou a ser cancelado por causa da queda no nível da água.

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