R$ 30,5 milhões de Bolsonaro entram no radar da PF por suspeita de lavagem de dinheiro

O ex-presidente Jair Bolsonaro movimentou R$ 30,5 milhões nas contas bancárias entre março de 2023 e junho deste ano, segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Os dados foram utilizados pela Polícia Federal (PF) no inquérito que resultou no indiciamento dele e do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), no caso relacionado ao tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil.

As movimentações levantaram suspeitas de indícios de lavagem de dinheiro ou outros ilícitos, segundo a PF.

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Bolsonaro é indiciado pela PF (Foto: Divulgação)

De acordo com a PF, entre março de 2023 e fevereiro de 2024, foram identificados R$ 30,57 milhões em créditos e R$ 30,59 milhões em débitos nas contas do ex-presidente. Embora o relatório não aponte ilegalidades na origem dos recursos, foram registradas cerca de 50 comunicações de movimentações consideradas atípicas, envolvendo Bolsonaro, Eduardo, a ex-primeira-dama Michele Bolsonaro e terceiros ligados ao núcleo familiar.

Entre as operações destacadas, estão uma transferência de R$ 2 milhões de Bolsonaro para bancar a estadia do filho Eduardo nos Estados Unidos, além de outro repasse de mesmo valor para Michele Bolsonaro. No caso de Eduardo, o Coaf também identificou uma operação de câmbio de R$ 1,6 milhão para uma conta no banco Wells Fargo, no exterior, apontada como doação do ex-presidente.

Conforme o relatório, Bolsonaro também desembolsou R$ 6,6 milhões em despesas com dois escritórios de advocacia.

A defesa do ex-presidente afirmou ter sido surpreendida com o indiciamento e disse que deve se manifestar após análise completa do relatório.

Bolsonaro e Eduardo indiciados

A Polícia Federal indiciou nessa quarta-feira (20) Jair Bolsonaro e o filho dele, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), por coação a autoridades no curso da ação penal do golpe de Estado, na qual o ex-presidente é réu.

A decisão consta de relatório entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF) e também resultou em medidas contra o pastor Silas Malafaia, alvo de busca e apreensão e de retenção de passaporte no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro – Galeão – Antônio Carlos Jobim.

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PF indicia o ex-presidente Jair Bolsonaro e seu filho, Eduardo Bolsonato. (Foto: Agência Senado)

Durante a investigação, com a restauração de dados salvos em backup, a Polícia Federal constatou intensa atividade de Jair Bolsonaro na produção e propagação de mensagens destinadas às redes sociais, em afronta à medida cautelar anteriormente imposta.

Conforme relatado, menos de uma hora após a ativação do novo celular, em 25/7/2025, às 11h09, o pastor Silas Lima Malafaia enviou mensagens a Jair Bolsonaro pedindo que o investigado “disparasse” dois vídeos, com as instruções:

“ATENÇÃO! Dispara esse vídeo às 12h”

“Se você se sente participante desse vídeo, compartilhe. Não podemos nos calar!”

Sobre Eduardo, o relatório descreve:

“O parlamentar licenciado passou a publicar, em seu perfil nas redes sociais, conteúdos em inglês, com o claro intuito de alcançar o público no exterior, além de interferir e embaraçar o regular andamento da AP 2668/DF e coagir autoridades públicas brasileiras.”

Malafaia alvo de mandado

Segundo a investigação, agentes cumpriram mandado de busca pessoal contra o pastor, com apreensão de celular e outros materiais.

Malafaia retornou nesta quarta ao Brasil, vindo de Lisboa. Ele foi recebido no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, e conduzido para prestar depoimento à PF.

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Pastor Silas Malafaia é alvo de busca e apreensão da Polícia Federal. (Foto: reprodução)

Áudios e mensagens

No relatório, a PF informou que foram extraídos do celular de Jair Bolsonaro áudios e conversas com Malafaia e Eduardo Bolsonaro que haviam sido apagados.

Esses registros reforçariam, segundo os investigadores, as tentativas de articulação para intimidar autoridades brasileiras e atrapalhar os inquéritos que apuram a trama golpista.

Pedido de asilo

A PF também identificou mensagens em que Jair Bolsonaro teria discutido com aliados um possível pedido de asilo político ao presidente da Argentina, Javier Milei.

Contexto da investigação

O inquérito foi aberto em maio, a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), que apontou a atuação de Eduardo Bolsonaro em busca de sanções contra ministros do STF junto ao governo dos Estados Unidos.

O caso levou à abertura de investigação contra Jair Bolsonaro, que já cumpre prisão domiciliar por descumprimento de ordens judiciais.

No início de julho, o ministro Alexandre de Moraes prorrogou a apuração por mais 60 dias, destacando a necessidade de novas diligências.

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