De bets a patrocínios: facção usava apostas para legitimar atuação em comunidades de MT

As investigações da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), no âmbito da Operação Ludus Sordidus, revelaram que plataformas de apostas esportivas, conhecidas como “Bets”, eram utilizadas para financiar as atividades de uma facção criminosa em Mato Grosso que buscava limpar sua própria imagem.

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Facção criminosa ostentava carros e imóveis de luxo; operação em Cuiabá expõe alvos. (Foto: reprodução)
Facção criminosa ostentava carros e imóveis de luxo; operação em Cuiabá expõe alvos. (Foto: reprodução)

Como funcionava o esquema

De acordo com a Polícia Civil, os sites “Gol Bet” e “Campeão Bet” eram usados para lavar dinheiro do grupo criminoso, financiar o tráfico de drogas e distribuir lucros entre líderes da organização.

Apontado como dono da “quebrada”, o investigado Sebastião Lauze era o responsável por administrar as atividades da facção nos bairros Osmar Cabral, Jardim Liberdade e adjacências. Ele recebia 10% dos lucros mensais das Bets e atuava para garantir o funcionamento das plataformas sem interferência externa.

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(Foto: reprodução)

Além dele, a investigação identificou:

  • Gestor operacional da Gol Bet: responsável por repasses e controle dos lucros;
  • Influenciador ligado à Campeão Bet: atuava como sócio na parte de marketing e patrocínios;
  • Contador informal: cuidava dos balanços semanais e do controle contábil das apostas.

Os operadores discutiam estratégias, contratavam cambistas e organizavam a logística dos jogos online.

Veja quem são os principais alvos:

  • Sebastião Lauze – conhecido como “véio”, “vovô” e “dono da quebrada”
  • João Bosco – irmão de Sebastião
  • Ozias Alves Rodrigues – conhecido como “Shelby”
  • Dainey Aparecido da Costa – influenciador digital, conhecido como Deniz Bet
  • Renan Castro – apostador e servidor comissionado da Prefeitura de Várzea Grande

Lavagem de dinheiro e movimentações

Segundo a apuração, os lucros eram distribuídos semanalmente, com transferências bancárias feitas para o líder da facção. Para isso, eram usadas contas de “laranjas”. Apenas em um mês, mais de R$ 50 mil foram movimentados em uma única conta.

Empresas de fachada, entre elas, uma churrascaria, também eram usadas para disfarçar as movimentações. A polícia encontrou transferências cruzadas entre essas empresas e contas ligadas aos investigados, com valores incompatíveis com a renda declarada.

Construção de imagem nas comunidades

A facção também investia em ações assistencialistas, como distribuição de cestas básicas e patrocínio a times amadores, tentando se legitimar como “benfeitora” das comunidades.

Eventos esportivos, como campeonatos de futebol de várzea, eram financiados pelas Bets como forma de conquistar apoio popular. Segundo os investigadores, a mesma estratégia foi usada em apoio explícito a candidatos nas eleições municipais.

Polícia compara atuação a “pão e circo”

O delegado Antenor Junior Pimentel Marcondes, responsável pelo caso, explicou que as apostas eram usadas para fortalecer a presença da facção nas comunidades e disfarçar a origem ilícita do dinheiro.

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