Max Russi critica sistema de consignados e diz que decisões da ALMT são ignoradas

O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado Max Russi (PSB), voltou a criticar o sistema de empréstimos consignados oferecidos a servidores públicos. Em entrevista ao Podcast Política de Primeira, do Portal Primeira Página, ele afirmou que, apesar de CPIs e leis aprovadas, as decisões do parlamento têm sido derrubadas na Justiça, o que, segundo ele, favorece diretamente os interesses do sistema bancário.

Max Russi (PSB) foi entrevistado pelo Podcast Primeira Página
Max Russi (PSB) foi entrevistado no Podcast Primeira Página/ Foto: Weslen Ortiz

Russi lembrou que a Assembleia já instaurou uma CPI sobre consignados e aprovou leis para restringir abusos, mas todas foram vetadas ou anuladas judicialmente.

“Muitas vezes ficamos de braços atados. O sistema bancário é muito forte, atua em todas as esferas e acaba prevalecendo sobre as decisões da Assembleia. Mesmo quando ouvimos a população, aprovamos projetos e derrubamos vetos, a Justiça vai lá e derruba a lei. No fim, quem perde é o servidor, que continua sendo explorado”, afirmou. Veja no trecho abaixo:

Segundo o deputado, os bancos enxergam no servidor público um cliente perfeito porque há estabilidade e desconto direto na folha.

“O banco não perde. Ele vai na fonte, desconta no salário do servidor, que passa a vida inteira pagando juros. É por isso que esse mercado é tão lucrativo e tão poderoso. Estamos falando de mais de 60% dos servidores com consignados ativos, muitos já endividados até o limite”, disse.

Russi também foi questionado sobre a possibilidade de uma nova CPI. Ele disse não descartar o instrumento, mas ponderou sobre a real eficácia.

“Podemos abrir uma CPI a qualquer momento, se houver elementos, mas precisamos ser realistas: já fizemos CPI, já aprovamos lei, já enviamos recomendações. Nada disso foi respeitado porque o setor financeiro é muito forte. O que espero é que o Tribunal de Contas e o Ministério Público Federal consigam corrigir essas distorções e punir quem lesou nossos servidores”, concluiu.

Falhas em mais de 63 mil contratos

O Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) apontou falhas em mais de 63 mil contratos de empréstimos consignados firmados por servidores estaduais. A apuração, feita por meio da plataforma Fiscaliza Consignados, revelou problemas como ausência de assinatura, divergência de CPF e informações incompletas dos contratantes.

Do total de 90.149 contratos enviados pelas instituições financeiras, apenas 27.331 foram validados, enquanto os demais apresentaram inconsistências. O presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo, classificou o cenário como de “desorganização sistêmica” e determinou a manutenção da suspensão dos descontos dos contratos ligados à empresa Capital Consig.

Assista o podcast na íntegra:

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