O 15º capítulo da história dos feminicídios ocorridos em Mato Grosso do Sul em 2025 leva o nome de Eliane Guanes. Foi a camareira de 59 anos a protagonista das páginas no mais puro horror naquela noite de 6 de julho em uma fazenda na região pantaneira de Corumbá.

Passado recente findado pelo capataz de fazenda Lourenço Xavier. Com requintes de crueldade, foi ele quem abreviou a vida de Eliane ao atear fogo na colega de trabalho, após ser rejeitado em investidas sexuais.
No currículo, o feminicida já carregava crimes como furto e violência doméstica. Mas naquela noite foi além. A morte, precedida de discussão, ocorreu após a vítima tentar fugir, sem sucesso.
Conforme relatos de testemunhas, Eliane estava sentada quando Lourenço chegou por trás, já jogando gasolina em seu corpo. Ao perceber que estava prestes a ser incendiada, ela correu. O assassino foi segurado por outras pessoas, mas se desvencilhou, alcançou o alvo e cumpriu seu objetivo de exterminá-la.
Tudo, pelo simples fato de ter sido rejeitado, não que outro motivo justificasse tal selvageria. Lourenço chegou a fugir, mas foi capturado pelo Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) na madrugada seguinte. Ele segue preso em Corumbá.
Conversas
Áudios obtidos pela reportagem mostram a movimentação antes do crime. Uma mulher explica que Lourenço tinha “raiva” da vítima desde que ela começou a trabalhar na propriedade e já teria tentado agredi-la.
“Ele criou raiva dela. Teve uma vez aqui que eles até discutiram, os dois, sabe? Ele queria jogar uma garrafa de água na cara dela, entende?”
A testemunha também teria sido assediada pelo suspeito.
“Ele estava dando em cima de mim. Aí eu cheguei pra ele e disse que não queria, que não estava a fim, entendeu? Aí ele disse que não aceitava ‘não’ de mulher nenhuma. Não aceitava ‘não’ de mulher nenhuma.”
“Ele chegou com um galão de gasolina, olhou para a minha cara e disse: ‘Essa daqui dá pra matar?’. E deu risada. Aí eu virei o rosto pro lado. Depois, ele ficou na porta do quarto, na janela. Eu olhei e vi a gasolina e o isqueiro, né? Aí eu senti que ele estava com más intenções comigo.”
Segundo a mulher, Eliane estava deitada no quarto quando foi chamada pelo homem na noite desta sexta-feira (6). Ao sair do quarto, ela não encontrou o suspeito e então se sentou próximo à testemunha, e logo em seguida foi atacada.
“Quando eu vi, ele já tinha jogado gasolina nela. Aí eu gritei pro pessoal, disse: ‘Entra no quarto, entra no quarto!’ Ela foi, passou direto e correu para a garagem. Quando chegou lá, ele jogou mais gasolina, ateou fogo e veio para o meu lado. Eu corri e comecei a gritar”.
Devido à localização remota e alagada da fazenda, a vítima precisou ser socorrida de avião e encaminhada para a Santa Casa de Campo Grande, onde acabou morrendo.
🚨 Denuncie a violência contra a mulher
Violência doméstica, seja psicológica, física, moral ou verbal, é crime e precisa ser combatida. Saiba como denunciar:
- Emergência: se a agressão estiver acontecendo, ligue 190 imediatamente;
- Central de denúncias: disque 180. O atendimento é gratuito, sigiloso e funciona 24 horas por dia, todos os dias. Também é possível denunciar via WhatsApp: (61) 9610-0180;
- Presencial: procure a Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), localizada na rua Brasília, 85 – Jardim Imá, ou a delegacia mais próxima;
Em Mato Grosso do Sul as denúncias de violência de gênero podem ser feitas de maneira on-line.
Clique aqui e faça a denúncia.
