Única deputada titular da Assembleia Legislativa de Mato Grosso há 12 anos, Janaina Riva (MDB) afirmou que ainda enfrenta barreiras impostas pelo machismo estrutural na política e defendeu mais rigor no combate à violência doméstica, feminicídio e assédio, inclusive dentro do próprio Legislativo. As declarações foram dadas no Podcast Política de Primeira, do portal Primeira Página.

Janaina destacou que o maior desafio das mulheres é conquistar espaço nos partidos e, depois, crescer dentro deles.
“É muito difícil ser sozinha em um ambiente tão masculino. O primeiro desafio da mulher é conseguir um partido para disputar uma eleição. O segundo é crescer dentro desse espaço, porque, mesmo quando ela tem habilidade e competência, o machismo estrutural ainda limita a ascensão. Eu sinto falta de ter mais mulheres na Assembleia para apoiar minhas pautas e também para eu apoiar as delas”, disse.
Veja o trecho abaixo:
Procuradoria da Mulher
Presidente da Procuradoria da Mulher na Assembleia, Janaina explicou que o órgão deixou de ter um papel apenas simbólico e hoje funciona como espaço de acolhimento.
“No início, a Procuradoria tinha só um papel de conscientização, mas a demanda era muito grande. Hoje ela acolhe, presta consultoria, encaminha denúncias, oferece apoio psicológico e acompanha casos em que as mulheres correm risco de vida. Já recebemos ligações até em fins de semana, de mulheres com medida protetiva que ligam desesperadas porque o agressor está na porta de casa”, relatou.
Segundo a deputada, o espaço também atua de forma institucional, cobrando resposta de órgãos de segurança e do Judiciário. “Já aconteceu de uma mulher com medida protetiva ser obrigada a ficar na mesma sala que o agressor em audiência. A Procuradoria atuou junto ao Tribunal de Justiça para corrigir isso. Nosso papel é usar a força do Legislativo para cobrar as outras instituições.”
Casos dentro da Assembleia
Janaina também falou sobre casos de violência e assédio envolvendo servidores da própria Assembleia. Ela criticou a lentidão de processos internos e afirmou que não teria tolerado reincidência.
“Já houve servidor envolvido três vezes em casos semelhantes de violência doméstica. Na minha opinião, isso não é normal. Se eu fosse presidente da Assembleia, esse servidor não estaria mais lá. Quando um servidor comete violência ou assédio, ele não só fere a vítima, mas também mancha a imagem da Casa”, afirmou.
