O vereador Gilson da Agricultura (UB) criticou a antecipação de R$ 460 mil de reserva de contingência do caixa do município para custear eventos culturais, durante sessão na Câmara Municipal de Pedra Preta nessa terça-feira (25). O parlamentar defendeu que os recursos deveriam ser destinados à solução de problemas urgentes de abastecimento de água em assentamentos do município.
As declarações contra a prefeita Iraci Ferreira de Souza (PSDB) e o vice-prefeito, Lenildo Augusto da Silva (MDB) resultaram em acusações de violência política de gênero e cobranças por retratação.

“Vão dar de César o que é de César. E eu faço um desafio: se eu não conversei com o vice-prefeito Lenildo, com a prefeita Iraci, que a Rosely do convênio estava junto, sobre essa questão de água, eu renuncio o meu mandato se estiver mentindo. Mas, se eu não tiver mentindo, tem que tomar uma vergonha na cara e não ficar fazendo só em época de política e que nem cachorra viciada dentro dos assentamentos e pedir voto, não. E meu povo vocabulário é esse”, afirmou.
A fala foi interpretada como um xingamento.
Segundo o vereador, ele não é contra a realização de festa na cidade, mas como os recursos estão sendo destinados.
“Se esse recurso viesse 1 milhão, 2 milhões diretamente da Secretaria de Cultura, eu votava favorável. Porque é dinheiro da Cultura. Agora, antecipar recurso da Câmara para festa, enquanto os assentamentos sofrem com falta de água, eu não concordo”, disse.
O vice-prefeito publicou um vídeo com a prefeita Iraci dizendo que qualquer forma de preconceito contra a mulher, inclusive o preconceito político de gênero, é inaceitável.
“Em nosso município, o Poder Legislativo conta com vereadores comprometidos em buscar soluções, dialogar e trabalhar em conjunto pelo bem de toda a população. Porém, infelizmente, existem aqueles que se afastam dessa missão, abandonam o debate responsável e recorrem a agressões verbais e atitudes ofensivas”, disse em nota.
Repercussão
O União Brasil, partido do vereador, se manifestou por meio de nota sobre a forma que o vereador falou. O partido diz que o integrante da sigla praticou violência de gênero.
“A violência política de gênero é uma afronta à democracia, aos direitos humanos e ao que prevê a Lei n° 14192/2021, que estabelece mecanismos para a prevenção e o combate a essas práticas.
Reiteramos nosso compromisso com a defesa do respeito, da igualdade e da participação plena e segura das mulheres na política, e exigimos que o ofensor se retrate, sem prejuízo das medidas legais e institucionais a serem tomadas para responsabilizar o autor desse tipo de conduta”, diz trecho da nota.
A primeira-dama do estado, Virginia Mendes, também se pronunciou sobre o ocorrido. Ela condenou a forma em que o vereador tratou a gestão liderada pela prefeita Iraci.
