Bataguassu voltou ao mapa de feminicídio após 4 anos sem registrar o crime

Mato Grosso do Sul registrou mais um feminicídio, alcançando 24 casos nos primeiros 8 meses do ano. Desta vez, a vítima vivia em Bataguassu, no leste do estado, onde não havia o registro do crime desde 2021, quando duas mulheres acabaram mortas por conviventes.

Bataguassu
Município possui 23 mil habitantes e está no leste do estado (Foto: divulgação/Governo de MS)

O município com 23 mil habitantes, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), é o 14º entre as 79 cidades do estado com maior número de casos envolvendo violência doméstica contra a mulher.

Somente em 2025, 147 mulheres registraram boletins de ocorrência na delegacia de Polícia Civil, informando terem sido vítimas de agressão. Veja abaixo a lista das 15 cidades com maior número de registros neste ano:

  • Campo Grande – 4663;
  • Dourados – 1141;
  • Três Lagoas – 602;
  • Corumbá – 542;
  • Ponta Porã – 365;
  • Naviraí – 305;
  • Nova Andradina – 235;
  • Aquidauana – 226;
  • Paranaíba – 225;
  • Coxim – 224;
  • Sidrolândia – 185;
  • Maracaju – 181;
  • São Gabriel do Oeste – 155;
  • Bataguassu – 147;
  • Bonito – 139.

Os dados são do Monitor de Violência Contra a Mulher, pertencente à Sejusp (Secretaria de Justiça e Segurança Pública) e TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul).

Se comparado com anos anteriores, Bataguassu vem em uma crescente no número de casos envolvendo violência contra a mulher, que analisa os registros desde 2015. Confira abaixo o histórico apresentado pela cidade nos últimos 10 anos:

  • 2015 – 190 casos;
  • 2016 – 192 casos;
  • 2017 – 184 casos;
  • 2018 – 185 casos;
  • 2019 – 188 casos;
  • 2020 – 183 casos;
  • 2021 – 236 casos;
  • 2022 – 216 casos;
  • 2023 – 225 casos;
  • 2024 – 229 casos;
  • 2025 (até agosto) – 147 casos.

O crime em Bataguassu

Vagner Aurélio Fernandes dos Santos, de 59 anos, é acusado de assassinar Érica Regina Moreira Motta, de 46 anos, na noite de quarta-feira (27), em Bataguassu. A vítima foi morta a facadas dentro de uma casa.

Feminicídio: Vagner Aurélio é acusado de matar Érica Regina
Vagner Aurélio é acusado de matar Érica Regina (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

De acordo com a Polícia Civil, Érica foi encontrada caída no sofá da sala, com várias perfurações no rosto e no pescoço. Vizinhos relataram terem ouvido uma discussão durante a tarde e acionaram a Polícia Militar. Ao chegar no local, os militares precisaram arrombar o portão, que estava trancado com cadeados.

O suspeito fugiu a pé, mas foi localizado pouco depois no terminal rodoviário da cidade. Segundo a polícia, ele já havia comprado passagem para Cuiabá (MT). No momento da abordagem, ainda vestia roupas sujas de sangue e confessou o crime.

O caso foi registrado como feminicídio e cárcere privado, uma vez que a vítima teria sido mantida dentro da casa do agressor desde terça-feira (26). Na delegacia, Vagner afirmou que já havia tentado matar outras duas mulheres em situações anteriores. Ele teve a prisão preventiva decretada.

Vítimas em 2025

Agosto já registrou, até o momento, quatro casos de feminicídio, se tornando o segundo mês mais violento para as mulheres neste ano, ficando atrás apenas de fevereiro e maio, quando foram registrados 5 casos cada. 

As cidades que registraram o crime neste ano são: Campo Grande, Caarapó, Dourados, Água Clara, Juti, Nioaque, Sidrolândia, Cassilândia, Itaquiraí, Coronel Sapucaia, Angélica, Corumbá, MAracaju, Costa Rica, Glória de Dourados, Naviraí, Ribas do Rio Pardo, Bela Vista e Bataguassu. 

O penúltimo caso, registrado em Bela Vista, foi tipificado como feminicídio em Mato Grosso do Sul, mesmo as primeiras informações terem sido divulgadas que a morte ocorreu no lado paraguaio. 

As 24 vítimas de feminicídio no estado, em 2025, são:

  • 1. Karina Corim (Caarapó);
  • 2. Vanessa Ricarte (Campo Grande);
  • 3. Juliana Domingues (Dourados);
  • 4. Mirielle dos Santos (Água Clara);
  • 5. Emiliana Mendes (Juti);
  • 6. Gisele Cristina Oliskowiski (Campo Grande);
  • 7. Alessandra da Silva Arruda (Nioaque);
  • 8. Ivone Barbosa (Sidrolândia);
  • 9. Thácia Paula (Cassilândia);
  • 10. Simone da Silva (Itaquiraí);
  • 11. Olizandra Vera Cano (Coronel Sapucaia);
  • 12. Graciane de Sousa Silva (Angélica);
  • 13. Vanessa Eugênio Medeiros (Campo Grande);
  • 14. Sophie Eugenia Borges, filha de Vanessa Eugênio Medeiros (Campo Grande);
  • 15. Eliana Guanes (Corumbá);
  • 16. Doralice da Silva (Maracaju);
  • 17. Rose Antonia de Paula (Costa Rica);
  • 18. Michely Rios Midon Orue – (Glória de Dourados);
  • 19. Juliete Vieira – (Naviraí);
  • 20. Cinira de Brito (Ribas do Rio Pardo);
  • 21. Salvadora Pereira (Pantanal de Corumbá);
  • 22. Letícia Ferreira Araújo (Cassilândia);
  • 23. Dahiana Ferreira Bombadilha (Bela Vista);
  • 24. Érica Regina Moreira Motta (Bataguassu).

🚨 Denuncie a violência contra a mulher

Violência doméstica — seja psicológica, física, moral ou verbal — é crime e precisa ser combatida. Saiba como denunciar:

Emergência: se a agressão estiver acontecendo, ligue 190 imediatamente;

Central de denúncias: disque 180. O atendimento é gratuito, sigiloso e funciona 24 horas por dia, todos os dias. Também é possível denunciar via WhatsApp: (61) 9610-0180;

Presencial: procure a delegacia mais próxima ou acione a Polícia Militar pelo 190;

Em Mato Grosso do Sul as denúncias de violência de gênero podem ser feitas de maneira on-line. Clique aqui e faça a denúncia.

⚠️ Violência contra a mulher não pode ser ignorada. Basta! Denuncie.

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