O Parque Estadual Serra de Ricardo Franco, em Vila Bela da Santíssima Trindade, no oeste de Mato Grosso, enfrenta uma nova temporada de incêndios florestais. De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT), ainda há focos ativos dentro da unidade de conservação, considerada uma das áreas mais importantes para a biodiversidade do estado.
Ainda segundo o CBMMT, não é possível determinar a extensão exata das áreas atingidas, visto que, neste momento, o esforço está concentrado no combate direto das chamas.

As ações envolvem uma operação integrada que combina apoio aéreo e terrestre. Quatro aeronaves e um helicóptero do Grupo de Aviação Bombeiro Militar (GAvBM), da Defesa Civil e do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) são usados para lançar água sobre os focos, transportar brigadistas e monitorar áreas críticas. Em solo, as equipes atuam com o auxílio de brigadistas, máquinas pesadas e aceiros construídos na parte baixa da serra, em uma tentativa de limitar o avanço do fogo.
Segundo o CBMMT, o terreno acidentado e a vegetação densa tornam o combate ainda mais complexo. Para acessar áreas de difícil alcance, brigadistas têm adentrado com apoio aéreo, o que aumenta a segurança e a rapidez das operações. Apesar das dificuldades, não há registro de impactos diretos em comunidades ou propriedades vizinhas.
Pelo contrário: moradores da região e proprietários rurais têm colaborado de forma ativa. Vila Bela da Santíssima Trindade conta com 106 recursos cadastrados voluntariamente no Sistema Integrado de Cadastro de Recursos para Apoio aos Incêndios Florestais (SICRAIF), que incluem maquinários, brigadistas e propriedades disponibilizadas em apoio às operações.

Ainda não é possível estimar quando os focos serão totalmente extintos. A propagação do fogo depende de variáveis como ventos, umidade e temperatura, que favorecem o alastramento das chamas durante a estiagem. “Todas as ações em andamento têm como objetivo não apenas conter o fogo, mas também proteger a fauna e a flora do parque, reduzindo os impactos sobre os ecossistemas locais”, destacou a corporação.
Além do esforço emergencial, o Governo de Mato Grosso anunciou investimentos de R$ 125 milhões em ações de prevenção e combate a incêndios florestais e ao desmatamento ilegal em todo o estado. Do montante, R$ 78 milhões são destinados diretamente às operações do Corpo de Bombeiros, incluindo contratação de brigadistas, reforço de equipamentos, maquinário e parcerias estratégicas.
O Parque Serra de Ricardo Franco, criado em 1997 e com mais de 158 mil hectares, é uma das áreas de maior relevância ambiental do estado, abrigando espécies ameaçadas e ecossistemas típicos do Cerrado e da Amazônia. Especialistas alertam que os incêndios recorrentes fragilizam os serviços ambientais da região e colocam em risco a biodiversidade.

Enquanto o combate segue em ritmo intenso, a recomendação é de que a população redobre os cuidados. O uso de fogo para manejo em áreas rurais está proibido até 30 de novembro na Amazônia e no Cerrado, e até 31 de dezembro no Pantanal. Em áreas urbanas, a proibição é permanente. Suspeitas ou indícios de incêndio podem ser denunciados pelos números 193 ou 190.