Delegacia da Mulher em Campo Grande é alvo de investigação após denúncias

O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) abriu um inquérito civil para investigar problemas estruturais e operacionais na 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, a DEAM de Campo Grande. A medida é conduzida pelo Gacep (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial) e tem como objetivo garantir que mulheres vítimas de violência sejam atendidas com rapidez, qualidade e respeito aos direitos humanos.

Vidraça Deam de Campo Grande
Fachada da Deam em Campo Grande. (Foto: Cristiano Arruda)

O procedimento foi instaurado após denúncias frequentes de vítimas que relataram falhas no atendimento. Entre os principais problemas apontados estão:

  • represamento de boletins de ocorrência;
  • demora na abertura de investigações;
  • descumprimento do dever de “diligência reforçada”, que prevê atenção especial a grupos vulneráveis;
  • relatos de mau atendimento e até recusa de agentes em anexar provas apresentadas pelas vítimas.

Números 

Em fevereiro de 2025, o Gacep realizou uma visita extraordinária à Deam e encontrou mais de 6 mil boletins de ocorrência sem qualquer procedimento instaurado.

Apesar da criação de uma força-tarefa da Polícia Civil para reduzir o passivo, em apenas três meses já havia um novo acúmulo de 1.366 registros sem andamento.

Investigação

O MPMS também analisa deficiências ligadas ao atendimento especializado previsto em lei para mulheres em situação de violência. A Defensoria Pública e o Núcleo de Enfrentamento à Violência Doméstica (Nevid) reforçaram as denúncias, apontando casos de negligência e falhas na condução de investigações.

O inquérito tem caráter estruturante, ou seja, não se limita a investigar falhas pontuais, mas pretende propor mudanças efetivas, como:

  • revisão dos procedimentos operacionais padrão da delegacia;
  • criação de sistema de monitoramento para evitar novo represamento de boletins;
  • capacitação continuada dos agentes de segurança;
  • melhoria no fluxo de atendimento às vítimas;
  • fortalecimento da gestão institucional da unidade.

“O procedimento deve ser concluído em até um ano, podendo ser prorrogado. Durante sua tramitação, o MPMS poderá emitir recomendações, celebrar Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) ou ajuizar ações civis públicas, conforme a necessidade”, divulgou MPMS.

A reportagem procurou a assessoria de imprensa da Sejusp-MS (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) e aguarda retorno.

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