Advogado acusado de liderar esquema de tráfico que movimentou R$ 100 milhões vai para prisão em VG

O advogado Douglas Antônio Gonçalves de Almeida, preso nesta terça-feira (2) na operação ‘Conductor’, sob acusação de liderar esquema que movimentou R$ 100 milhões provenientes do tráfico de drogas e armas, foi encaminhado ao Presídio Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande, por ordem do juiz Alexandre Paulichi Chiovitti.

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O magistrado do Núcleo de Audiências de Custódia de Cuiabá decidiu remeter Douglas ao Ahmenon porque a penitenciária detém a estrutura necessária para acautelamento de advogados. Além disso, ordenou que a polícia anexe no processo o exame de corpo e delito com urgência.
As investigações da Operação Conductor, deflagrada nesta terça-feira (2), indicaram que Douglas envolveu toda sua família no esquema. Douglas é acusado de liderar as ações criminosas e de envolver sua irmã, Joyce Almeida, e seu irmão, ainda não identificado, que foram presos, além de usar a própria mãe, alvo de buscas, para constituir as empresas “fantasmas” usadas para lavar os milhões.
Conforme a delegada Bruna Laet, Douglas controlava o tráfico de 150 quilos de drogas por semana, o equivalente a R$ 45 milhões nos quatro meses que fora investigado. Para camuflar a origem ilícita da grana, o advogado convocou seus familiares como “laranjas” para abrirem empresas.
Eles seriam membros do núcleo financeiro da organização e foram responsáveis por abrirem oito empresas de fachada como farmácias, companhia para instalar e distribuir energia solar e distribuição e produção de alimentos. Essas empresas recebiam e enviavam todo o dinheiro obtido pela venda de entorpecentes, armas e munições de grosso calibre.
Douglas atuava no controle do transporte de droga desde a fronteira, armazenamento, negociação e distribuição na região metropolitana de Cuiabá. As investigações apontam que o grupo traficou duas toneladas de drogas, armas e munições para a região metropolitana de Cuiabá e, principalmente, o Maranhão.
Conforme apurado pelo Olhar Direto, Douglas é de Várzea Grande e, até então, nunca havia sido preso e atuava normalmente como advogado.
A investigação começou em abril de 2024, quando a Polícia Rodoviária Federal realizou a prisão de um homem, de 31 anos, em Cáceres, que estava transportando 153,8 mil kg de cocaína em seu veículo, um Renault Master Eurolaf, simulando ser usado para o transporte de passageiros. Este, portanto, era o modus operandi: o grupo fingia atuar no serviço de transporte para traficar e, com o dinheiro do crime, constituir empresas ilicitamente.
Após a apreensão, as investigações, que tiveram duração de mais de um ano, identificaram o grupo conta com envolvimento de pelo menos 31 pessoas físicas e oito pessoas jurídicas. 
“Durante o período de cerca de quatro meses, o grupo recebeu mais de duas toneladas de drogas, armas de fogo e munições, sendo um carregamento por semana. O valor estimado da droga recebida nesse período é de R$ 45 milhões, que corresponde à quantia bloqueada/sequestrada dos investigados”, afirmou a delegada Bruna Laet, responsável pela investigação do caso.

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