Dino pede à PF investigação de ameaças após voto contra Bolsonaro

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou nesta quarta-feira (10) que a Polícia Federal investigue ameaças recebidas em redes sociais. As intimidações começaram após o voto dele, proferido na véspera, pela condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros sete réus acusados de tentativa de golpe de Estado.

Em ofício ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, Dino relatou ter sido alvo de ameaças graves contra a vida e a integridade física. Uma das mensagens mencionava um incêndio que matou a esposa do ex-primeiro-ministro do Nepal durante protestos políticos. O ministro alertou que publicações distorcidas sobre processos judiciais podem estimular atos criminosos, citando como exemplo ataques anteriores contra a sede do STF.

Flávio Dino toma posse como ministro do STF (Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF)
Flávio Dino no dia da posse como ministro do STF (Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF)

Agressão em voo e indiciamento

Dino já havia enfrentado outro episódio recentemente. No dia 1º de setembro, uma mulher tentou agredi-lo durante voo entre São Luís e Brasília. A passageira, cujo nome não foi divulgado, foi indiciada pela PF por injúria e incitação ao crime.

O voto pela condenação

Na terça-feira (9), Dino votou pela condenação de Bolsonaro e de outros sete acusados. Ele acompanhou o relator, Alexandre de Moraes, que também se manifestou pela condenação, abrindo o placar de 2 a 0 no julgamento. Ainda restam os votos dos ministros Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin.

O ministro avaliou que houve atos executórios voltados à tentativa de golpe e defendeu penas mais severas para Bolsonaro e para o general Braga Netto, apontados como líderes da trama. Em relação ao deputado federal Alexandre Ramagem e aos generais Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira, Dino indicou penas menores, por considerar participação de menor relevância.

Condenação e crimes imputados

O voto de Dino foi pela condenação dos réus por crimes como organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e dano qualificado ao patrimônio público. No caso de Ramagem, por ser parlamentar, não houve responsabilização pelos crimes de depredação da sede do STF nos atos de 8 de janeiro.

O ministro também enfatizou que tais crimes são insuscetíveis de indulto ou anistia, citando precedentes do próprio Supremo.

Contexto político

Durante a leitura, Dino destacou que a Corte não julga as Forças Armadas como instituição, mas apenas militares que se tornaram réus. Também afirmou que pressões externas, inclusive de governos estrangeiros, não interferem no processo. Para ele, o julgamento ocorre dentro da legalidade, com base em provas e garantias constitucionais.

Réus do processo

  • Jair Bolsonaro – ex-presidente da República
  • Alexandre Ramagem – ex-diretor da Abin e atual deputado federal
  • Almir Garnier – ex-comandante da Marinha
  • Anderson Torres – ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do Distrito Federal
  • Augusto Heleno – ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional
  • Paulo Sérgio Nogueira – ex-ministro da Defesa
  • Walter Braga Netto – ex-ministro da Defesa e candidato a vice em 2022
  • Mauro Cid – ex-ajudante de ordens de Bolsonaro

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