Em MT, denúncias de mulheres disparam no 1º ano após separação e às segundas-feiras

O primeiro ano após o fim de um relacionamento é o período mais crítico para as mulheres em Mato Grosso. Levantamento divulgado pela Polícia Civil durante coletiva da Operação Primatus mostra que 71% dos atendimentos registrados nas Delegacias da Mulher entre 2020 e 2024 ocorreram até 12 meses depois da separação. Quando se considera os cinco primeiros anos, a taxa sobe para 90%, revelando a persistência da violência mesmo após o rompimento.

Segundo a delegada Judá Maali Pinheiro Marcondes, titular da unidade em Cuiabá, muitos agressores não aceitam a perda do controle e passam a perseguir e ameaçar a vítima. “O padrão é de homens que ainda enxergam a mulher como propriedade, prolongando o ciclo de violência mesmo depois do término”, observou.

Raio-x da violência contra a mulher em MT

71% dos atendimentos ocorrem até 12 meses após o rompimento; segunda-feira é o dia com mais registros

71%
ocorrem no primeiro ano de separação

Até 5 anos após o rompimento, os casos chegam a 90%.

2ª feira
dia de maior procura

  • Delegacias em horário comercial concentram registros
  • Plantões 24h têm picos nos finais de semana casos graves
3.874
medidas protetivas em 2024
680
agressores presos
128
acolhidas em casas de amparo
Fonte: Polícia Civil de MT — Delegacia da Mulher (coletiva Operação Primatus)
Arte: Primeira Página

Quando a violência mais aparece

O levantamento mostrou ainda que outubro e maio são os meses com maior número de registros. Outubro, por conta da campanha do Outubro Rosa, estimula mulheres a pensarem no autocuidado e também a refletirem sobre relações abusivas. Maio, mês das mães, costuma despertar sentimento de valorização e leva muitas vítimas a procurar ajuda.

Nas delegacias, a segunda-feira concentra a maior parte dos atendimentos. A Polícia Civil avalia que a rotina da semana, quando a mulher sai de casa para o trabalho e deixa os filhos na escola, cria oportunidade para denunciar. Já no plantão 24 horas, os picos acontecem aos domingos e feriados, períodos marcados por maior convivência entre vítima e agressor.

Perfil da violência

As ocorrências mais frequentes continuam sendo ameaça, injúria, lesão corporal, violência psicológica, perseguição e descumprimento de medida protetiva. Em 2024, Cuiabá registrou quatro feminicídios consumados e 22 tentativas, além de 96 casos de estupro.

canais de proteção acionados

3.000
pedidos via SOS Mulher

Acionamentos com botão do pânico registrados no período recente.

acompanhamento especializado

636
casos na Patrulha Maria da Penha (Cuiabá)

Equipe dedicada à fiscalização de medidas e visitas periódicas.

perícias solicitadas

1.984
requisições em 2024

  • 516 para violência psicológica
  • 537 para descumprimento de medida protetiva

Exames que embasam inquéritos e decisões judiciais.

efetividade das medidas

  • 87% cumprem medidas impostas
  • 13% descumprem foco de prisões

Estimativa para Cuiabá; descumprimento concentra preventivas.

Fonte: Polícia Civil de MT — Delegacia da Mulher (coletiva Operação Primatus)
Arte: Primeira Página

Para 2025, a legislação estadual prevê que, além das medidas protetivas, vítimas poderão solicitar que o agressor use tornozeleira eletrônica, ampliando a fiscalização do cumprimento das ordens judiciais. A Polícia Civil destaca que 87% dos homens cumprem as medidas impostas, e que a minoria que descumpre concentra as prisões preventivas.

No último ano, 636 casos foram acompanhados pela Patrulha Maria da Penha em Cuiabá, com visitas periódicas e monitoramento do cumprimento das restrições. Para a Polícia Civil, a integração entre medida protetiva, perícia e patrulhamento é decisiva para reduzir riscos de letalidade.

Procura cresce 200% em cinco anos

Entre 2020 e 2024, mais de 22 mil mulheres buscaram atendimento nas delegacias especializadas de Mato Grosso. O número de registros saltou de 2.061 para 6.223, um crescimento de cerca de 200%. Só em 2024 foram solicitadas 3.874 medidas protetivas em todo o estado.

O balanço também aponta para a prisão de 680 agressores no último ano, além de 58 mandados de prisão preventiva por descumprimento das medidas. Outras 128 mulheres, muitas acompanhadas dos filhos, precisaram ser acolhidas em casas de amparo.

Onde buscar ajuda

As medidas podem ser solicitadas presencialmente nas delegacias especializadas, pelos canais digitais da Polícia Civil ou pelo aplicativo SOS Mulher, que conta com botão do pânico. Em situações de emergência, os números 190 (Polícia Militar) e 197 (Polícia Civil) estão disponíveis.

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