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Durante seu interrogatório à Justiça, Flávio confessou que era envolvido no tráfico ao lado de Kelvin Diego e Tomaz Camilo, todavia, negou conhecer o acusado John Carlos, bem como negou qualquer envolvimento da sua esposa, informando não saber das finalidades das movimentações financeiras dela.
Entretanto, os elementos que constam dos autos indicam que Flávio, além de confessar a prática do tráfico, exercia o papel de principal articulador do grupo criminoso, sendo, inclusive, o responsável pelo envio de drogas para outras regiões o país.
Também foram produzidas provas no sentido de que ele tinha plena ciência acerca da atuação de John Carlos no transporte do entorpecente, bem como acerca do envolvimento e ciência de Mara Kenia. Em conversas de WhatsApp, foi identificado Flávio negociando drogas, incluindo chamadas de vídeo, inclusive ao lado de sua esposa, na qual ele assistia em tempo real a operação de ocultação e carregamento de veículo com drogas.
Também atuou juntamente com Mara Kenia no recrutamento de John para transportar drogas. No curso das investigações, foi comprovado que a droga apreendida em poder de John Carlos Lemos Da Silva em Barra do Garças, em agosto de 2023, de fato era de procedência do casal.
Mara e Flávio foram condenados, cada, a 21 anos de prisão, em regime fechado, em sentença de fevereiro. Além deles, a irmã de Flávio, Thaisa Lucas foi sentenciada a 18 anos. Somadas, as penas de todos envolvidos passam dos 70 anos.
Além do casal e da irmã, Thiago de Oliveira foi condenado a 17 anos e John Carlos Lemos da Silva, Tomaz Camilo Vieira Guimarães e Kelvin Diego Minott Egu, a quatro anos e dez meses. Pedro Benício Rodrigues de Sá foi absolvido.
Mara, que também é cirurgiã-dentista, e Flávio seriam os responsáveis pela rede de tráfico. Eles alugavam veículos usados para o transporte de drogas. A investigação aponta que a organização transportava mais de 148 quilos de entorpecentes em diferentes estados, utilizando veículos com compartimentos ocultos.
“Os autos evidenciam uma complexa logística criminosa, com a utilização de veículos alugados por terceiros para o transporte das substâncias ilícitas, parceria com oficinas especializadas na confecção de compartimentos ocultos (“mocós”) e a execução de operações típicas de uma estrutura empresarial voltada para o tráfico. O envolvimento de múltiplos agentes em diferentes funções, desde a captação de veículos até a distribuição da droga, reforça a natureza estruturada do grupo criminoso”, anotou o juiz Douglas Bernardos Romao nas sentenças.
Na semana passada, a Quinta Turma do STJ manteve a prisão de Maria e de Flávio, ao negar habeas corpus manejado pela defesa dela.
O grupo foi alvo da Operação Escadotes, deflagrada em maio de 2024, cujas investigações começaram após a prisão em flagrante de um transportador que levava 40 quilos de drogas escondidos em um fundo falso de veículo, em agosto de 2023.

Empresário confessa tráfico e tenta livrar esposa, mas mensagens indicam ligação dela com esquema
Condenado por liderar esquema de tráfico nacional, o ‘empresário’ Flávio Henrique Lucas confessou seu envolvimento no transporte de drogas, mas tentou livrar sua esposa no caso, a também condenada Mara Kenia. O casal, ao lado da irmã dele, Thaisa Lucas, foi o principal alvo da Operação Escadotes, deflagrada pela Polícia Federal em 2024. Em fevereiro deste ano, a ‘família do tráfico’ e os demais envolvidos foram condenados a penas que, somadas, passam os 70 anos.
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