O ex-policial militar Almir Monteiro dos Reis enfrenta o Tribunal do Júri nesta quinta-feira (25), a partir das 9h, no Fórum de Cuiabá. Ele é acusado de homicídio qualificado, estupro, fraude processual e ocultação de cadáver, crimes envolvendo a advogada Cristiane Castrillon da Fonseca Tirloni.
Segundo a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso, Cristiane foi espancada, asfixiada e morta na madrugada de 13 de agosto de 2023, dentro da residência do acusado, no bairro Santa Amália, após se recusar a manter relações sexuais com ele.

O MPE classifica o crime como feminicídio, destacando motivos torpes, uso de asfixia mecânica e superioridade física do acusado, que impediu a defesa da vítima. O homicídio teria ocorrido para garantir a impunidade de outro crime, o estupro, e demonstrar desprezo pela condição de mulher.
De acordo com o promotor de Justiça Jorge Paulo Damante Pereira, Almir ainda tentou alterar a cena do crime, lavando roupas e eliminando vestígios de sangue. Posteriormente, ele ocultou o corpo no veículo da vítima, um Jeep Renegade, e o abandonou nas proximidades do Parque das Águas. Para simular que Cristiane ainda estava viva, ele chegou a colocar óculos escuros no corpo e deixá-lo no banco do passageiro.
O cadáver foi encontrado pelo irmão de Cristiane, que, sem saber que ela havia morrido, levou a vítima a um hospital particular, onde o óbito foi constatado.
O julgamento no Tribunal do Júri deve avaliar a responsabilidade criminal de Almir Monteiro dos Reis por todos os crimes que lhe são imputados.
O caso
A vítima foi encontrada morta dentro de um carro no Parque das Águas, em Cuiabá, no final da tarde do dia 13 de agosto de 2023. As investigações iniciaram por volta das 15h, após equipe da DHPP ser acionada para realizar a liberação do corpo da vítima, que foi levado pelo irmão, dando entrada na unidade hospitalar por volta das 14h25, já sem vida.
Segundo as investigações, Cristiane passou a tarde de sábado em um churrasco com a família e amigos e por volta das 22h foi com o seu carro até um bar nas proximidades da Arena Pantanal.
No local, a vítima conheceu um homem com quem teria deixado o bar por volta das 23h30.
Após o fato, os familiares não conseguiram mais contato com a vítima, que também não dormiu em casa. Preocupados com o paradeiro, o irmão dela acessou um aplicativo que indicou que o celular estaria no Parque das Águas.
No local, o corpo da vítima foi encontrado dentro do seu veículo Jeep, já sem vida, sendo encaminhada ao hospital pelo irmão.

Com base nas informações, os policiais da DHPP deram início às diligências, chegando até o último local em que a vítima esteve antes da morte, em uma residência no bairro Santa Amália.
Por meio de imagens de câmeras de segurança foi possível ver o veículo da vítima saindo do endereço, na parte da manhã, com o suspeito na direção.
Indiciamento
Almir foi indiciado por homicídio quadruplamente qualificado. O trabalho de investigação durou 10 dias. Segundo o delegado responsável pelo inquérito, Edson Pick, o homem teria abusado da vítima.
O delegado informou que o ex-PM teria confessado o crime informalmente aos policiais. No entanto, quando foi ouvido em depoimento na delegacia, onde negou a autoria do crime.
Almir foi indiciado por fraude processual, já que tentou limpar a cena do crime e levou o corpo da mulher até o Parque das Águas, além de estupro, recurso que impediu a defesa da vítima e feminicídio.
Quem é o acusado
Almir Monteiro é ex-policial militar e ingressou na corporação em 13 de novembro de 2000. Contudo, em 21 de março de 2013 foi instaurado processo administrativo para sua demissão por roubo.