A Polícia Civil investiga se o tio da pequena Luciana Perez Abdalla, de um ano e onze meses, poderia ter evitado o atropelamento que resultou na morte da menina, na manhã de ontem (15), em Corumbá. A criança completaria 2 anos na próxima quarta-feira (22).

De antemão, a polícia já descartou qualquer hipótese de dolo — ou seja, não há indícios de que Francisco Saraiva de Araújo Filho, o tio da bebê, tinha intenção de causar o acidente, conforme informou o delegado responsável pelo caso, Fillipe Araújo Izidio Pereira, da 1ª Delegacia de Polícia de Corumbá.
“O que será apurado agora, com base nas provas técnicas e testemunhais, é se houve culpa — em outras palavras, se o condutor agiu com algum tipo de descuido que poderia ter sido evitado, dentro das circunstâncias do caso.”
Fillipe Araújo Izidio Pereira.
Segundo Francisco, a investigação buscará esclarecer três pontos fundamentais:
- Se houve culpa — isto é, se o motorista poderia ter adotado algum cuidado que teria evitado o acidente;
- Se havia previsibilidade objetiva — ou seja, se uma pessoa comum, nas mesmas condições, poderia prever que uma criança estaria à frente do caminhão naquele momento;
- Se havia inexigibilidade de conduta diversa — o que significa verificar se, diante da situação concreta, era possível ao motorista agir de outro modo para evitar o acidente, considerando os limites humanos de atenção e percepção.
“Esses aspectos são essenciais para compreender se o fato foi realmente um acidente inevitável ou se houve alguma falha humana dentro dos parâmetros legais.”
Fillipe Araújo Izidio Pereira.
O acidente ocorreu por volta das 7h05 desta quarta-feira (15), na Rua Minas Gerais, entre as ruas Edu Rocha e 21 de Setembro, no bairro Popular Nova, em Corumbá.
Luciana, natural da cidade de Mariano Roque Alonso, no Paraguai, foi atropelada no momento em que o tio manobrava o caminhão para tirá-lo da garagem.
Ele não percebeu que a criança estava na frente do veículo e a atropelou. Luciana teve ferimentos gravíssimos e morreu no local antes da chegada do Corpo de Bombeiros. Exames periciais foram realizados no local e irão embasar o inquérito policial.
Francisco também foi ouvido ainda no dia do acidente e colaborou com a polícia, apresentando, inclusive, as imagens das câmeras de segurança que registraram o ocorrido.