Policiais do Garras (Delegacia de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros) prenderam, na madrugada desta terça-feira (21), outros dois suspeitos de tentar roubar uma joalheria em um shopping de Campo Grande. A prisão aconteceu em um bar no bairro Jardim Morumbi.

Durante coletiva de imprensa realizada na manhã desta terça-feira, o delegado Reginaldo Salomão contou a dinâmica da investigação, iniciada desde a manhã de domingo (19), quando os criminosos tentaram realizar o furto.
Ainda no dia do crime, um dos envolvidos, de 20 anos, acabou detido no telhado do shopping, após o alarme da loja disparar e entregar a ação dos suspeitos. O rapaz, que é morador de Goiás, contou aos investigadores que ele havia sido abordado por policiais do Choque na rodoviária da capital, no dia em que chegou à cidade.
Ao serem perguntados, os militares contaram que a abordagem aconteceu devido aos cães farejadores identificarem cheiro de maconha na roupa dos suspeitos. Entretanto, o fato se deu devido ao trio ter fumado o entorpecente em grande quantidade. Como nada de ilícito foi encontrado, os homens foram liberados, mas a documentação registrada no sistema. A partir daí, a polícia obteve a identificação dos três envolvidos.
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Além disso, os investigadores visitaram todos os hotéis e casas de locação por temporada, existentes no entorno do shopping. Um morador reconheceu os indivíduos e, partir de análise no sistema, descobriram que eles haviam locado uma casa no bairro Jardim Vida Nova.
O dono da residência é um policial militar, que já havia desconfiado do trio e tirou fotos deles e dos documentos. Com a comprovação da identificação, os policiais chegaram à localização do segundo suspeito, que estava sozinho em um bar, bebendo cerveja.
Os investigadores ficaram observando a movimentação e, pouco mais de uma hora depois, o terceiro envolvido no crime chegou por carro de aplicativo. Nesse momento, houve a abordagem. O autor que estava no veículo pediu para que o motorista acelerasse, mas o condutor desligou o automóvel e ficou parado. Enquanto os policiais tentavam abrir a porta do veículo, o criminoso quebrou o aparelho celular que estava em posse.
Já o outro suspeito, que estava no bar, tentou correr, mas acabou alcançado e preso. Ambos utilizavam nomes falsos e se recusaram a falar a identidade verdadeira. Através do trabalho de papiloscopia, a polícia conseguiu identificar os autores, que também são moradores de Goiás.

“Especialistas” no crime
Para que o furto pudesse ser realizado, o trio já havia vindo na cidade em outras ocasiões, para analisar as joalherias de Campo Grande e identificar os sistemas de segurança nas lojas.
O primeiro preso, de 20 anos, era quem ficava responsável por desativar o alarme da loja. Porém, como não possuía experiência, recebeu orientação de outra pessoa por vídeo chamada. Entretanto, durante o serviço, o alarme da loja disparou e chamou atenção da equipe de segurança, que acionou a polícia.
Já o suspeito de 23 anos, carregava um aparelho que fazia a pré-abertura da porta de entrada, assim como fechava, para que os outros autores pudessem entrar na loja. Além disso, ele era responsável por fazer as locações dos imóveis na cidade, conseguir documentos falsos e pagar a alimentação do grupo durante a estadia no município. Ele é filho de um policial e afirmou que “não ficaria preso, pois tem dinheiro para pagar advogados”.

O terceiro autor ficava responsável pelo suporte. Ele dirigia um carro prata, além de levar e buscar os parceiros. O automóvel utilizado para fuga, no domingo (19), não foi encontrado até o momento.
Em parceria com a Derf (Delegacia Especializada de Roubos e Furtos), os policiais do Garras descobriram que o grupo já era investigado pela polícia de MS, devido à participação em outras tentativas de crime na cidade.
Inclusive, há suspeita de que o trio tenha tentado furtar a mesma joalheria no ano passado, mas novamente o crime não havia sido concretizado. Os envolvidos tentaram furtar, também, outra loja de jóias na cidade, mas o sistema de segurança não conseguiu ser desativado.
Devido à complexidade no crime, a polícia investiga a participação de outras pessoas na ação.