A eleição de 2026 já começa a reorganizar o tabuleiro político nos estados, especialmente entre os governadores que chegam ao fim do segundo mandato e estão legalmente impedidos de disputar a reeleição. Sem a possibilidade de permanecer no cargo, a maioria deles busca uma alternativa para continuar em posição de protagonismo político, e o Senado Federal surge como o principal caminho.
Dos 27 governadores em exercício, apenas nove poderão tentar novo mandato no ano que vem. Os demais, diante da limitação constitucional, avaliam cenários que incluem disputar uma das 54 vagas que estarão em jogo no Senado, numa renovação de dois terços da Casa, com duas cadeiras por estado em disputa.

O movimento já começou. Alguns governadores formalizaram a intenção de concorrer, outros avançam em articulações partidárias e ainda há aqueles que, embora não tenham feito anúncios públicos, aparecem bem posicionados em pesquisas eleitorais e são tratados como candidatos potenciais por seus partidos.
O calendário eleitoral impõe prazos rígidos. Quem pretende trocar o Executivo estadual por outro cargo precisa deixar o governo até abril de 2026, seis meses antes da eleição. Esse fator acelera decisões e antecipa negociações nos bastidores.
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No Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB) já confirmou que deixará o Palácio do Buriti para disputar o Senado. Ele anunciou que entrará oficialmente em pré-campanha ainda no primeiro semestre e que sua vice, Celina Leão (PP), será a principal herdeira política para a sucessão local.
No Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL) é tratado internamente como nome viável para a corrida ao Senado, embora ainda não tenha oficializado a candidatura. O fortalecimento do seu capital político após operações de segurança pública no estado impulsionou seu nome dentro do partido e nas sondagens eleitorais.
Em Roraima, Antonio Denarium (PP) já tornou pública a intenção de disputar uma vaga no Senado e costurou, como parte da estratégia, o lançamento do vice-governador como candidato à sucessão estadual.
No Pará, o governador Helder Barbalho (MDB), aliado do presidente Lula, lidera cenários de intenção de voto para o Senado segundo levantamentos recentes, mas mantém cautela e ainda não anunciou formalmente se entrará na disputa, apesar de estar impedido de tentar novo mandato no Executivo.
Além dos que miram diretamente a Câmara Alta, há governadores que tentam projetar voos mais ambiciosos. Ronaldo Caiado (União Brasil), Ratinho Jr. (PSD), Eduardo Leite (PSD) e Romeu Zema (Novo) articulam seus nomes para a disputa presidencial, sobretudo junto ao eleitorado de centro-direita e direita.
Contudo, a multiplicidade de pré-candidaturas nesse campo político pode forçar recuos estratégicos, levando parte desses nomes a aceitar composições como vice ou, eventualmente, redirecionar seus projetos para o Senado.
O cenário indica que, mais do que uma eleição legislativa, 2026 será também um processo de reciclagem das lideranças estaduais, com o Senado funcionando como porto seguro institucional para governadores que deixam o poder nos estados, mas não pretendem deixar o centro da política nacional.